A Revolução dos Cravos Encarnados começou no silêncio da noite com o objetivo do Inimigo, no presente caso a Ditadura, não acordar e combater o segredo, que o Alentejo guardou. A História é uma arte passiva, porque precisa de narradores e outrora pintores, hoje fotógrafos. Durante a Revolução várias/os Fotógrafas/os documentaram os históricos acontecimentos: Ana Hatherly, Margaret Martins, Cláudia Teixeira, Eduardo Gageiro ou Alfredo Cunha. Na Figueira da Foz sobressaiu um nome: Jorge Dias. Infelizmente faleceu a 16 de Outubro de 2025. Porém – o filho Nuno Dias, Professor de Educação Física, aceitou dar a entrevista, a fim de proteger e oferecer continuação ao legado do Pai.

Conta uma História, que podia ser uma Biografia elaborada por um escritor, mas foi a própria vida, que escreveu o designado perfil biográfico. Uma trajetória, que o filho realça merecer o valor de elevada admiração, dada a importância da sua participação em todo o processo do Movimento Revolucionário. Um momento da História sombria, mas também de Esperança. Sombria da Ditadura e de esperança de estar a bater a hora certa para o fim do Estado Novo e começar uma nova era.
Na noite de 24 para 25 de Abril não somente foi um jovem Furriel, que participou de forma ativa na Revolução, como também a História o escolheu como “Historiador Fotográfico”, a fim de contar, por intermédio da fotografia, todo o processo da Revolução. No presente caso começou na Figueira da Foz no RAP 3 e seguiu para Lisboa.

Fotografias conseguem conquistar o olhar da Memória para – mesmo passado mais de 50 anos – se conseguir, de forma abstrata, “viver” os acontecimentos da conquistada Liberdade.
Ainda antes das Senhas “E depois do Adeus” de Paulo Carvalho e “Grândola Vila Morena” de José Afonso serem lançadas por intermédio das Emissoras em Lisboa – a primeira senha 22:55 horas e a segunda às 00:20 horas –, a fim de darem início ao Movimento Militar, no RAP 3 o Capitão Dinis de Almeida deu a Ordem de detenção. O Capitão e o Furriel Jorge Dias desarmaram e prenderam o Comandante do RAP 3.

Para o Furriel Jorge Dias participar no Movimento dos Capitães de Abril não foi uma decisão de última hora, mas sim de longa data. Existia uma “Literacia Política”, como o filho realça. Conta, que à própria Família pertencia um primo, que o pai muito admirava. Primo, que contestou o regime ditatorial e foi preso – acontecimento que marcou muito o Fotógrafo da Revolução. Sempre apresentou o mote, que se consegue descrever como o lema da vida: “Servir e ajudar os outros” – no presente caso auxiliar e oferecer ou devolver a liberdade às pessoas. Um lema da Humanidade focado “no próximo, na humildade, no contexto cristã, na esfera profissional e comunitária”. De certa forma – como fotógrafo – “serviu no contexto profissional da fotografia várias Gerações”. Por intermédio da lente da fotografia segurava “Momentos da Vida” para a eternidade e assim era uma “Literacia Política e Comunitária”, que escrevia História.

Postura, que levou o Capitão Dinis Almeida a dirigir a palavra de revolução ao jovem Militar Jorge Dias, que não recusou. Uma vida dedicada ao seu lema. Um mote que sempre impressionou os filhos, que pretendem resguardar a personalidade do pai e seu “impacto”, como dizem, seu legado na História de Portugal.
Deixa por intermédio da “Lente Fotográfica” um excecional “Livro de História do 25 de Abril em Imagens”. Entre o elevado número, diz o filho, existe também uma fotografia, que retrata, como no meio da multidão (1974 – Manifestação de apoio ao Movimento das Forças Armadas) se encontra Cristina Torres (1891-1975), apesar da avançada idade. Uma Personalidade, que a nível local da Figueira da Foz, deixou as suas “Pegadas na História”, atendendo que foi uma Professora na Oposição à Ditadura e sempre lutou a favor da Igualdade das Mulheres. Outras Fotografias de destaque revelam-se nas imagens da Coluna, da Chegada a Lisboa e muitas mais, que ficam para sempre na Memória.

Memória, que pretende deixar um Mensagem, para que o 25 de Abril não termine:
É importante recordar os conquistados Direitos da Liberdade, como o Direito da Expressão, que é também o direito das próprias opiniões sem opressão. Jamais esquecer que o viver sem ser assombrado do medo ditatorial é um Bem precioso. Bem, que ainda hoje precisa de ser protegido. Por conseguinte, continuar a falar do Passado e fazer chegar junto das novas gerações o saber dos antepassados. Como o filho do Fotógrafo e hoje Guardião do Legado do Pai diz:
“Não esperar perder, para depois falar da Liberdade.”
Entrevista e texto de Lígia Mourão e Isalita Pereira




