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Sábado - 2 Março 2024

“O nosso país não nos oferece condições, temos que procurar noutro lado”

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O Jornal Comunidades esteve à conversa com Manuel Oliveira, um jornalista de 22 anos, de Santa Maria da Feira, que se licenciou em comunicação na Universidade do Porto. O seu sonho era ser jornalista, daí ter ido estudar comunicação na vertente de jornalismo. Esteve na Alemanha a estagiar, a passagem pela Deutsche Welle foi positiva e muito gratificante.

Manuel Oliveira quando terminou curso, foi estagiar para a Rádio Renascença, onde esteve três meses. Quando terminou o estágio na Rádio Renascença, recebeu uma oferta para ir para o Porto Canal fazer, um info entretenimento. Um programa, que se chamava “Viver Aqui”, em que era repórter desse programa, por um período de três meses.

Um contrato para os meses de Verão, e quando chegou o fim desse contrato viu-se “num mundo de falta de oportunidade de emprego na área do Jornalismo, que é o que se passa neste momento em Portugal”. Afirma o jornalista.

No sabia muito bem o que fazer, e começou a enviar currículos para muitos lugares, e como tinha sido muito fácil a sua integração no mercado do trabalho, com o estágio na Rádio Renascença, ficou com a ilusão que “seria muito fácil conseguir arranjar emprego de imediato”.

Mas a realidade deu-lhe as voltas. Teve conhecimento que havia um programa que se chama “Inov Contacto”, que tinha como objetivo arranjar estágios internacionais. “Todos me falavam muito bem desses estágios, mas não se sabe muito bem para que país, a “Inov Contacto” envia os estagiários e pode ser um país qualquer.

“Foi uma espécie de descoberta para o desconhecido”. Candidatou-se e foi parar à Alemanha, para Deutsche Welle, ficou muito feliz porque era um órgão de comunicação com grande reconhecimento, e que já acompanhava há muito tempo.

Foi para lá em junho deste ano, trabalhar como jornalista. Estava na redação Africana, mais concretamente na redação de português para África e produzia conteúdo sobre e para países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, os (PALOP).

Terminou este mês o estágio, e como no momento a empresa não estava a contratar, apesar de gostarem muito do seu trabalho, não pode continuar.
“Por casualidades da vida, o meu pai faleceu, e queria voltar para Portugal, porque havia e há muita coisa para resolver e preciso de fazer todo o meu processo de luto. E regressar a Portugal, já estava nos meus planos”, regressando antes do Natal, e “vamos ver o que a vida me reserva no nosso país”.

O que pretende encontrar em Portugal Profissionalmente?

“Espero trabalhar na área da comunicação e não tanto na área do Jornalismo, estou a referir-me a trabalhar mais na Assessoria de Imprensa, criação de conteúdos. Porque são essas as oportunidades que lhe têm aparecido. Mas a saída de Portugal “não está de todo fora dos meus planos”, porque começamos a ver as coisas como estão em Portugal, e não vê um futuro muito risonho.”

Toda a experiência na Alemanha foi muito diferente, em primeiro lugar “temos” a questão salarial, “em vez de sobreviver, passamos a viver”. E mesmo a forma de trabalhar é muito diferente. Em Portugal continua-se a trabalhar com uma sobrecarga horária diária.

“Quero estar para Portugal, quero fazer uma carreira no meu país, mas não me parece que essa realidade seja assim tão fácil.”

Neste momento em Portugal já “tenho uma variedade de opções, que estou à espera de respostas, para começar a trabalhar em janeiro”.

Quando se está fora de Portugal, é óbvio que uma pessoa sente falta de algumas coisas, “eu senti falta do sol, do calor das pessoas, de um bom café, e de um bom pastel de nata, mas eu gostei de estar na Alemanha, foi um sítio em que me senti muito bem no Deutsche Welle.”

Balanço da passagem pelo Deutsche Welle, em Bona, na Alemanha

“Gostei muito de estar na Alemanha”, refere Manuel Oliveira, e “há a vantagem de vivermos na União Europeia, que nos permite mover-nos de um sítio para o outro. Sei que é difícil sair, mas se o nosso país não nos permite ir mais além, o que é que nos resta”?
Custa muito no início, mas tudo aquilo que conseguimos construir em Portugal, também conseguimos noutro país.

E há outros aspetos positivos, conhecemos novos amigos, novas pessoas, e depois temos muitos emigrantes na Alemanha, “conheci muitas comunidades portuguesas”. Há muitos portugueses na Alemanha, principalmente em Colónia, que é perto de onde viveu.

A mensagem que deixou para quem quer emigrar foi que “o que custa é dar o primeiro passo, uma pessoa vai em busca de uma vida melhor, mas se o nosso país não nos oferece condições, temos que procurar noutro lado.” Termina desta forma o ex-emigrante, Manuel Oliveira, que não põe de parte emigrar novamente.

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