Hora de Esperança – A Emigração do Espírito da Cultura
Existe um Relógio que iniciou o bater das Horas, quando o Universo começou. É o designado Relógio da Vida. Seus Ponteiros começaram a andar e até hoje jamais pararam. O Tempo passa e leva tudo. Tudo? Definição que precisa de um Pensar cauteloso. Outrora era mais difícil preservar o Passado para o Futuro. Hoje em dia com as Novas Tecnologias os Arquivos da História precisam de ser cada vez mais sofisticados para guardar a História da Humanidade. Quanto mais fácil é a Divulgação da Vida e do Mundo, mais Memórias existem para recordar, assim como Métodos para proteger o adquirido Saber, a fim de assegurar a Sobrevivência dos Conteúdos para futuras Gerações.
Bibliotecas, Museus e Grandes Palcos das Nações representam o Espelho da Emigração da Cultura. Existe uma Canção com o Título “Ein Lied geht um die Welt” – “Uma Canção dá a Volta ao Mundo”, que o Tenor Joseph Schmidt (1904 – 1942) cantou. Um pequeno Extrato da Letra é determinante:
„Fliegt auch die Zeit, (“Mesmo que o Tempo voa,)
Das Lied bleibt in Ewigkeit.“ (A Canção fica para a Eternidade.”)
Nem tudo se perde no Tempo ou desliza para o Esquecimento, mas sim subsiste para sempre na História das Recordações. Os citados Lugares representam a Grandeza do Mundo em Miniatura. Letras, Notas Musicais e Pinturas contam como começaram suas Viagens de Digressão, que se transformaram de Visitas para Residentes Permanentes. Sem a Divulgação a nível mundial toda a Cultura permanecia fechada nas Limitações Fronteiriças Nacionais. O Espírito Internacional não existia e a Evolução da Humanidade seria bem diferente. Multicultural – Cosmopolita, fascinantes Palavras que entrelaçam o Globo e criam Novos Mundos. Mundos que convidam construir uma Janela para além da própria Identidade Nacional. É o Partilhar do Saber entre Mentes e Memórias repletas de curiosa Ambição por mais Sabedoria e Novos Caminhos a nível global.
Novos Caminhos – Palavra-Chave no Conto da Misteriosa Biblioteca, que convida a Nossa Heroína desejar descobrir os Segredos da Literatura, Música e Pintura, que mesmo no Esquecimento deixaram na História a Pegada dos Mistérios da Vida.
Uma Serenata doce e elegante entoava.
Porém –
O seu Fado Chorava?
Charles Dickens –
Contemplando minha fiel Companhia,
com um Olhar repleto de Harmonia,
vivendo uma estranha Fantasia,
desejava conhecer Nova Magia.
Para diferente Dimensão entrei.
Os suaves Sons escutei.
Sem esperar –
Um Candelabro a iluminar:
Majestoso Piano de Cauda a brilhar.
O inesquecível Mozart a tocar:
Pequena Serenata Noturna.
Sua Aura –
Um Xaile de Guarda-Noturna.
À minha volta olhei.
O Mundo da Música encontrei.
As Grandes Celebridades da História,
que escreveram e tocaram com Glória.
De Clara Schumann, a Menina-Prodígio
Até Niccolò Paganini – do Mistério um Elígio.
De Albéniz a Zelter – o ABC completo.
Uma Noite que levantou o Véu do Secreto.
O Espaço parecia coberto de Notas Musicais.
Um metafórico Jardim de Obras como Roseirais.
Quando o excecional Mozart a última Nota tocou.
O Concerto não terminou.
Na Escuridão a Música Instrumentos desvendou:
Da Flauta Piccolo à Sonhadora Harpa encantou.
O Piano no meio de uma Orquestra brilhou.
Das Grandes Obras da Música “contou”.
No fim um Concerto triunfante.
Ver o Rei dos Instrumentos era emocionante.
Um pequeno suspiro de Tristeza –
No meio de ilustre Beleza?
Dirigi a Palavra com Suavidade
e apresentei Votos de Felicidade.
Uma Nota como Lágrima ouvi.
Profunda Solidão vi.
“Os Grandes Palcos do Mundo conheci.
O Universo da Música percorri.
Era aplaudido –
e estimado.
Porém –
Uma desesperada Hora chegou.
Meu Triunfo acabou.
O Tempo minha “Juventude” levou.
Meu Saber? – No Silêncio ficou.
Um Dia na presente Biblioteca acordei.
Os meus Palcos – para sempre deixei.
De vez em quando um Concerto se realiza –
Oh, meu sofrimento eterniza.”
Palavra de Conforto procurei.
Porque seu triste Coração encontrei.
No entanto – algo importante recordei:
“Ofereceste inesquecíveis Momentos.
A Recordação fica para todos os Tempos.
Quem outrora no Palco te viu –
Jamais esquece a Beleza Musical que ouviu.
Tocaste nos Corações –
Para sempre – na Memória das Nações.”
Uma Nota mais alegre entoou –
No Tempo voou.
As Folhas guardadas deixei.
A Hora era do Piano. – Constatei.
Com Saudade me despedi –
Quando um quase conhecido Quadro vi.
Um Músico ao Piano sentado.
Às Pautas dedicado.
Caneta Pena sobre as Folhas a voar.
Sua Obra a tocar.
Pensativa fiquei.
Semelhantes Quadros recordei:
Na Esfera da Pintura –
Perante Tela sem Assinatura.
O Jovem Pintor concentrado
Com Ar triste e cansado.
Seu Talento apresentava.
Mas seu Nome –
A Fama não mencionava.
Meu Pensar saltou.
Regressou à Sala da Literatura.
À Luz da Vela uma pequena Figura.
A escrever com Dedicação.
O Tempo parecia seu Guardião.
Minha Mente compreendeu.
Meu Coração entristeceu.
Ouvi Charles Dickens a contar:
“No Tempo esquecidos –
Para sempre Perdidos.
Talentos que nasceram.
Mas na Vida perderam.
Suas Obras não triunfaram.
A Sorte não conheceram.
Minha Menina –
Esta Noite conheça Sua Sina.
Folhas escondidas.
Mas não para sempre esquecidas.
O Sonho não é viver.
Em Vida precisa de vencer.
Seu Talento não esconder.
Tenha Coragem! – Para crer.”
Seu Braço me ofereceu.
A Misteriosa Noite me convenceu.
O Segredo da Vida revelou.
Até ao Princípio da “Viagem” me acompanhou.
Estava a amanhecer.
A Magia a desaparecer.
As Personalidades acenaram.
Muita Sorte desejaram.
Um Quadro se pintou com Fantasia –
Histórico Sonho de uma Noite de Magia.
No Ar ouvi “Hino à Alegria”.
Beethoven e Schiller – Música e Poesia.
Com Melancolia me despedi.
Com Confiança prometi:
“A Recordação hei de escrever.
Para Misteriosa Biblioteca viver.”
Com um Som abafado acordei.
O Livro no Chão avistei.
Para a Janela olhei.
A Paisagem de Branco verifiquei.
Sem demora decidi.
O Conto da Misteriosa Biblioteca escrevi.
Quando a mais Solene Noite do Ano chegou.
Uma desconhecida Melodia entoou.
…….
Para continuar.
Isalita Pereira
Secreta Poeta
Autoria da Fotografia A. Carvalho



