OMS/Hedinn Halldorsson O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, e um especialista em saúde durante operações envolvendo o MV Hondius, ao largo de Tenerife, em meio à resposta ao hantavírus
Operação de desembarque e repatriação de passageiros do navio MV Hondius foi concluída na Espanha; até agora, 11 infeções foram registadas, incluindo três mortes; casos suspeitos e confirmados foram isolados e estão sendo geridos sob rigorosa supervisão médica.
Foi concluída nesta terça-feira, em Tenerife, na Espanha, a operação de desembarque e repatriação de todos os passageiros que estavam a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius, onde ocorreu um surto de hantavírus. Agora, a embarcação segue em direção aos Países Baixos.
Até o momento, foram 11 notificações, incluindo três mortes. Todos os casos são entre passageiros ou tripulantes. Nove das 11 infeções foram confirmadas como vírus Andes, e os outros dois não foram confirmados em laboratório.
Isolamento até 21 de junho
Em conversa com jornalistas nesta terça-feira, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, OMS, afirmou que “não há sinais do início de um surto maior”.
Por outro lado, Tedros Ghrebeyesus declarou que a situação pode mudar e que, dado o longo período de incubação do vírus, “é possível que mais casos sejam identificados nas próximas semanas”.

Tedros enfatizou que cada um dos países para os quais os passageiros foram repatriados é responsável por acompanhar a saúde deles.
A recomendação da OMS é que eles sejam monitorizados ativamente numa instalação de quarentena específica ou em casa por 42 dias a partir da última exposição, o que significa isolamento até 21 de junho.
Dignidade e compaixão
Todos os casos suspeitos e confirmados foram isolados e geridos sob rigorosa supervisão médica, minimizando qualquer risco de transmissão futura.
A agência da ONU está a cooperar os países para que qualquer pessoa que apresente sintomas seja tratada imediatamente.
O chefe da OMS lembrou que 147 viajantes, de 23 países, ficaram no navio por semanas, numa situação “assustadora”. Ele contou que alguns passageiros foram afetados psicologicamente com a situação e que têm o direito de serem tratados com dignidade e compaixão.
Tedros relatou que algumas pessoas sugeriam que os passageiros fossem confinados no navio durante o período completo de quarentena, mas que para a OMS “isso teria sido desumano e desnecessário”.
Colaboração da OMS com Cabo Verde e Espanha
De acordo com o Regulamento Internacional de Saúde, os países são obrigados a impedir que pessoas fiquem presas no mar quando podem gerir o risco de forma segura e responsável.
Tedros agradeceu a Cabo Verde, que apoiou prontamente a evacuação dos três passageiros sintomáticos do navio; e Espanha, que geriu o desembarque dos demais viajantes.

Ele ressaltou que os vírus não respeitam fronteiras e que “a imunidade mais forte é a solidariedade”.
Um especialista da OMS embarcou no navio em Cabo Verde, acompanhado por dois médicos dos Países Baixos ou Holanda e um especialista do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças para gerenciar a situação.
A avaliação da agência continua sendo que o risco para a saúde global é baixo.
Transmissão entre humanos
Os hantavírus são um grupo de vírus transmitidos por roedores que podem causar doenças graves nos humanos. A transmissão normalmente ocorre por contacto com roedores infetados ou pela urina, fezes ou saliva.
A variante identificada neste surto é do tipo Andes, a única que regista casos de transmissão entre humanos.
Embora não exista um tratamento específico que cure doenças por hantavírus, o cuidado médico de suporte precoce é fundamental para melhorar a sobrevivência e foca na monitorização clínica rigorosa e no manejo de complicações respiratórias, cardíacas e renais.




