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Sexta-feira - 12 Junho 2026
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OMS espera novos casos de hantavírus, mas não vê sinais de surto maior

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OMS/Hedinn Halldorsson O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, e um especialista em saúde durante operações envolvendo o MV Hondius, ao largo de Tenerife, em meio à resposta ao hantavírus

Operação de desembarque e repatriação de passageiros do navio MV Hondius foi concluída na Espanha; até agora, 11 infeções foram registadas, incluindo três mortes; casos suspeitos e confirmados foram isolados e estão sendo geridos sob rigorosa supervisão médica.

Foi concluída nesta terça-feira, em Tenerife, na Espanha, a operação de desembarque e repatriação de todos os passageiros que estavam a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius, onde ocorreu um surto de hantavírus. Agora, a embarcação segue em direção aos Países Baixos.

Até o momento, foram 11 notificações, incluindo três mortes. Todos os casos são entre passageiros ou tripulantes. Nove das 11 infeções foram confirmadas como vírus Andes, e os outros dois não foram confirmados em laboratório.

Isolamento até 21 de junho

Em conversa com jornalistas nesta terça-feira, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, OMS, afirmou que “não há sinais do início de um surto maior”.

Por outro lado, Tedros Ghrebeyesus declarou que a situação pode mudar e que, dado o longo período de incubação do vírus, “é possível que mais casos sejam identificados nas próximas semanas”.

CDC Imagem microscópica de partículas de Hantavírus de cor verde sobre um fundo branco

Tedros enfatizou que cada um dos países para os quais os passageiros foram repatriados é responsável por acompanhar a saúde deles. 

A recomendação da OMS é que eles sejam monitorizados ativamente numa instalação de quarentena específica ou em casa por 42 dias a partir da última exposição, o que significa isolamento até 21 de junho.

Dignidade e compaixão

Todos os casos suspeitos e confirmados foram isolados e geridos sob rigorosa supervisão médica, minimizando qualquer risco de transmissão futura.

A agência da ONU está a cooperar os países para que qualquer pessoa que apresente sintomas seja tratada imediatamente.

O chefe da OMS lembrou que 147 viajantes, de 23 países, ficaram no navio por semanas, numa situação “assustadora”. Ele contou que alguns passageiros foram afetados psicologicamente com a situação e que têm o direito de serem tratados com dignidade e compaixão.

Tedros relatou que algumas pessoas sugeriam que os passageiros fossem confinados no navio durante o período completo de quarentena, mas que para a OMS “isso teria sido desumano e desnecessário”.

Colaboração da OMS com Cabo Verde e Espanha

De acordo com o Regulamento Internacional de Saúde, os países são obrigados a impedir que pessoas fiquem presas no mar quando podem gerir o risco de forma segura e responsável.

Tedros agradeceu a Cabo Verde, que apoiou prontamente a evacuação dos três passageiros sintomáticos do navio; e Espanha, que geriu o desembarque dos demais viajantes. 

© CDC/ James Gathany Um rato-de-cabeça-branca da América do Norte (Peromyscus maniculatus) que foi identificado como um dos reservatórios e transmissores do hantavírus.

Ele ressaltou que os vírus não respeitam fronteiras e que “a imunidade mais forte é a solidariedade”.

Um especialista da OMS embarcou no navio em Cabo Verde, acompanhado por dois médicos dos Países Baixos ou Holanda e um especialista do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças para gerenciar a situação. 

A avaliação da agência continua sendo que o risco para a saúde global é baixo.

Transmissão entre humanos

Os hantavírus são um grupo de vírus transmitidos por roedores que podem causar doenças graves nos humanos. A transmissão normalmente ocorre por contacto com roedores infetados ou pela urina, fezes ou saliva. 

A variante identificada neste surto é do tipo Andes, a única que regista casos de transmissão entre humanos.

Embora não exista um tratamento específico que cure doenças por hantavírus, o cuidado médico de suporte precoce é fundamental para melhorar a sobrevivência e foca na monitorização clínica rigorosa e no manejo de complicações respiratórias, cardíacas e renais.

Jornal Comunidades Lusófonas
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