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Sábado - 2 Março 2024

“Os artistas têm pela Casa do Artista um carinho especial”

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Esta entrevista tem em vista dar a conhecer a vida dos artistas de uma forma genérica, e que agora que já não podem contribuir com a sua performance, seja ela qual for. Têm um espaço que é “seu”. Pela Casa do Artista, respira-se arte, porque um artista, nunca é ex-artista, é-se artista e ponto.

A ideia da Casa do Artista é trazida por Raul Solnado quando, na década de 1960, regressa do Brasil onde conheceu um projeto idêntico: a Casa do Artista, em São Paulo. A necessidade de apoiar a classe artística era identificada há muito em Portugal. Já na década de 1930 Maria Mattos tinha endereçado uma carta a António de Oliveira Salazar, onde manifestava a necessidade de se criar uma Casa para os artistas, dando como exemplo a Casa de Repouso de Milão onde se encontrava Maria Júdice da Costa. Tradicionalmente os percursos dos profissionais das artes são, no nosso país, inseguros e intermitentes.

A APOIARTE – Associação de Apoio aos Artistas é formalmente construída em 1986, por um grupo de trinta e um sócios fundadores, entre os quais constavam nomes como Jacinto Ramos, Tomé de Barros Queirós, Carmen Dolores, Manuela Maria, Armando Cortez, Octávio Clérigo. E apenas em 1999 é finalmente inaugurado o complexo social e cultural APOIARTE, integrado por quatro estruturas fundamentais: Residência Sénior, Galeria Raul Solnado, Teatro Armando Cortez e Centro de Formação. Recentemente acrescentámos-lhe uma nova valência: o Centro de Documentação Carmen Dolores.

Neste momento residem na Casa do Artista 74 pessoas. Não dispomos de Centro de Dia. As 74 pessoas residem aqui em permanência. Dispomos também de um regime de apoio temporário, que permite apoiar os nossos associados efetivos em situações de convalesça.

A atriz e cantora Nina Monteiro e a cantora Maria Candal.

A Casa do Artista na qualidade de Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) recebe apoio financeiro da Segurança Social, proveniente do acordo de cooperação. Um apoio que é manifestamente insuficiente para suprir todos os custos que a Instituição acarreta. Recebemos ainda um apoio da Câmara Municipal de Lisboa, pelo acolhimento do TIL – Teatro Infantil de Lisboa, e, atendendo à especificidade da Instituição, contamos desde 2021 com uma verba anual protocolada com o Ministério da Cultura.

As outras formas de financiamento passam pelo valor das mensalidades dos residentes (uma percentagem que pode variar entre 75 a 90% do valor do seu rendimento, em função do seu grau de dependência), pelas quotizações dos associados, pelos donativos – como é o caso da consignação dos 0,5% do IRS -, pelos protocolos/parcerias que vão sendo celebrados e também pelas fontes de receita próprias geradas fundamentalmente a partir do Teatro Armando Cortez, Galeria Raul Solnado e Centro de Formação.

Neste momento vivem na Casa do Artista atores, atrizes, músicos, artistas de circo, costureiras de teatro, técnicos de som e de luz, fadistas, coreógrafos, bailarinos, cantores, produtores. Alguns são caras bem conhecidas do grande público, outros são caras anónimas que nos bastidores permitiram fazer os espetáculos e outros eventos do nosso panorama cultural e artístico acontecer. A pessoa mais nova tem 57 anos – reside na Instituição por questões de saúde – e a mais velha tem 103 anos.

Todos os residentes da Casa do Artista são associados efetivos da APOIARTE, ou seja, são pessoas que dedicaram o seu percurso profissional às áreas artísticas e que se fizeram associadas da Associação. A quota anual está fixada em 45€.

Os associados que se inscrevem para viver na Residência Sénior e dão entrada na estrutura são apoiados, independentemente do valor dos seus rendimentos.

O feedback que recebemos é bastante positivo. Os artistas têm pela Casa do Artista um carinho especial, sentem-na também como sua. E sentimos que o público acarinha também bastante a nossa Associação.

Esta é a Casa daqueles que nos acompanharam a todos ao longo das nossas vidas, que nos emocionaram e fizeram sonhar. É uma Casa de afetos, onde estão as nossas referências.

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