“OEm Country Reports” é uma publicação com periodicidade anual, que caracteriza a emigração portuguesa para os principais países de destino. Em cada “relatório” são reunidos e comentados os principais indicadores de caracterização da emigração para um destino específico, nacional ou regional. São selecionados destinos para onde se dirigem os principais fluxos da emigração portuguesa, bem como aqueles com populações nascidas em Portugal mais numerosas. Segundo Joana Azevedo.
Países Baixos
Inês Vidigal, do Observatório da Emigração, refere que para os Países Baixos denota-se que a emigração portuguesa é um “fenómeno relativamente recente”. Em 2019, foi atingido o número máximo de entradas de portugueses naquele país, desde que há memória. “Em termos comparados, Portugal encontrava-se em 24º lugar entre os países de origem da migração para os Países Baixos, em 2020”, refere a mesma.
Os portugueses, nos Países Baixos estão, na sua maioria, em idade ativa, sendo a proporção de homens ligeiramente superior à de mulheres. “As províncias de Zuid-Holland, Noord-Holland e Noord-Brabant concentram mais de dois terços de todos os portugueses residentes nos Países Baixos”. Os trabalhos mais procurados e realizados encontram-se nas atividades administrativas e dos serviços de apoio, da indústria transformadora, do comércio e reparação de veículos, do alojamento e restauração, e das atividades de consultadoria científicas e técnicas empregavam mais de 72% dos ativos portugueses imigrados nos Países Baixos, em 2019.
O Brasil
Para Paulo Miguel Madeira, Bárbara Ferreira, Pedro Candeias, e João Peixoto e Duval Fernandes, o Brasil, “é o país com a maior e mais antiga tradição de emigração portuguesa”, mas que se encontra em declínio a emigração portuguesa para este país desde os anos 60 do século XX.
Depois de um início de século a rondar as 500 entradas por ano, em 2010 o Brasil tornou-se mais atrativo para os portugueses, “verificando-se, nesse ano, um aumento de 93% em relação ao anterior”.
O crescimento económico do Brasil na primeira década do século, e a crise financeira juntamente com a intervenção da Troika em Portugal, “podem ser fatores que explicam o crescimento da emigração portuguesa para este país, cujo pico se deu em 2013, com um valor aproximado de 3,000 entradas.” Comparando três vagas da emigração portuguesa para o Brasil, verifica-se um aumento progressivo da escolarização dos emigrantes portugueses, “com uma emigração recente onde predominam as atividades qualificadas entre os chegados na primeira década do século.” Referem os autores do relatório.
O caso Francês
Segundo José Carlos Marques, Pedro Góis, Pedro Candeias e Bárbara Ferreira, o caso francês é paradigmático, pois a emigração portuguesa para França tem estado presente na nossa história nos últimos 100 anos, não mostrando nada de novo para os portugueses. Os anos mais “concorridos” para a ida para França foram os anos 60 e 70 foram marcados por uma emigração em massa de portugueses, tendo França sido o principal país de destino da emigração portuguesa durante vários anos. Após a revolução dos cravos, “França mantém sempre valores bastante elevados no que respeita o fluxo de entradas de portugueses, especialmente em modalidades migratórias como o reagrupamento familiar e a emigração sazonal. Após a crise económica de 2007/2008 a emigração portuguesa para França volta a intensificar-se, embora com valores inferiores a outros países europeus.” Enquanto a emigração portuguesa para este país era maioritariamente composta por baixos níveis de qualificação e de formação e por uma participação em setores de atividade pouco prestigiados, no século XXI, começa a assumir uma maior diversidade de perfis formativos e educacionais, com mão de obra mais qualificada.
A Alemanha
Para Pedro Candeias, a emigração portuguesa para a Alemanha remonta “aos anos 1960, durante o período do programa formal de trabalhadores convidados”. Começando a decrescer a partir de 1974, mas recuperou um novo de novo, com a queda do muro de Berlim. Atingindo o seu máximo em meados dos anos 1990, decrescendo em meados dos anos 2000. Desde então, e até 2013, voltou a crescer, com a recessão económica em Portugal.
No ano de 2015 residiam na Alemanha 133,929 cidadãos portugueses. Os portugueses na Alemanha encontram-se em grande parte em idade ativa. Com base no stock de portugueses, parecem ter existido três grandes vagas: “uma, chegada há mais de 40 anos, outra, entre 20 e 25 anos atrás, e uma, mais recente, que se encontra na Alemanha há menos de 4 anos. Mais de metade dos portugueses reside no estado federado da Renânia do Norte-Vestefália e em Bade-Vurtemberga.”
Na terra do queijo Suíço: Suíça
José Carlos Marques, refere que a emigração portuguesa para a Suíça tem apresentado números significativos desde meados do decénio de 1980. Após uma ligeira diminuição do fluxo no decurso dos últimos anos do século XX, a entrada de portugueses em território helvético voltou a intensificar-se a partir de 2002, “sendo este, entre 2008 e 2010, o principal destino da emigração” portuguesa. “A manutenção de elevados efetivos de entrada, juntamente com um nível inferior de saídas, tornou a Suíça no segundo maior destino da emigração portuguesa na Europa e a população portuguesa nesse país na terceira maior população de imigrantes. Nos últimos anos, entre 2013 e 2015, “o fluxo de emigração de portugueses para a Suíça conheceu uma importante diminuição que não se refletiu no número total de portugueses residentes que continua a apresentar uma evolução positiva.” Refere o mesmo.
A emigração para os Estados Unidos da América
Num relatório produzido por Inês Espírito-Santo e Rui Pena Pires, mostram que nos EUA vive hoje uma população portuguesa numerosa, de mais de 160 mil pessoas, “mas envelhecida e em declínio devido à redução substancial da emigração a partir de Portugal”. A entrada de “novos imigrantes portugueses, da ordem dos mil por ano ao longo da última década, tem sido insuficiente para compensar a mortalidade e eventuais movimentos de retorno e de re-emigração”. Por motivos de envelhecimento da população portuguesa emigrada nos EUA, apresenta níveis de qualificação escolar e profissional muito baixos, quando comparados com os das outras populações imigrantes residentes naquele país.
“Nuestros hermanos”, a Espanha
Para Espanha, os períodos compreendidos entre 2004 e 2008, foi o país para onde “emigraram mais portugueses”. Em termos acumulados era, em 2008, o sexto país com mais portugueses emigrados. A crise financeira mundial de 2008 e a crise espanhola do imobiliário estando associada, tiveram um grande impacto neste fluxo, nomeadamente devido ao rápido e intenso crescimento do desemprego. A emigração para Espanha desceu abruptamente desde 2008 e, com re-emigrações e retornos, diminuiu mesmo o número de portugueses residentes naquele país. Menciona Filipa Pinho e Rui Penas Pires.