O Jornal Comunidades Lusófonas esteve à conversa com Paulo Pisco, que conheceu distinção internacional. A Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa cedeu o título de Membro Associado Honorário, a fim de valorizar o seu trabalho parlamentar a nível europeu / internacional, que integra também a sua dedicação à diáspora. O Partido Socialista nas últimas eleições legislativas não elegeu nenhum representante pelos círculos da emigração. Por conseguinte, cumprindo uma promessa eleitoral, o Secretário-Geral do Partido Socialista, Luís Carneiro, decidiu criar o Departamento de Comunidades Portuguesas no Partido Socialista. Paulo Pisco foi nomeado Diretor do respetivo Departamento com o objetivo de aproximar Portugal e a diáspora: quer dizer defender os direitos, assim como a representatividade dos portugueses além-fronteiras.
O objetivo principal do Departamento de Comunidades do PS comporta essencialmente três linhas de atuação. Em primeiro: fazer o acompanhamento e dar apoio às estruturas do Partido Socialista nas Comunidades na Europa e para além das fronteiras europeias.
Em segundo: tem como objetivo fazer o acompanhamento das políticas que têm vindo a ser implementadas ou não, por parte do Governo e muito particularmente por parte da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas.
A terceira, consiste em ir acompanhando aquilo que se passa a nível do Parlamento e a nível da vida política portuguesa que diga respeito às comunidades portuguesas. É nas três vertentes que o Departamento de Comunidades Portuguesas desenvolve a sua atividade.
Questionado sobre quais são as maiores preocupações das comunidades emigradas pelo mundo, Paulo Pisco revelou que existem preocupações comuns e preocupações específicas relativamente a algumas comunidades.
De uma maneira geral, nas comunidades portuguesas na Europa, existe a preocupação relativamente a um conjunto de assuntos em torno do movimento associativo, do ensino português no estrangeiro e também a nível do atendimento consular.
Embora as três preocupações sejam mais ou menos constantes, existem questões de natureza específica relativamente a vários outros países. Nomeadamente a questão associada aos apoios sociais que agora estão a atravessar por dificuldades, nas comunidades portuguesas: como é o exemplo da Venezuela, da África do Sul e do Brasil, onde se encontram certas dificuldades para os beneficiários dos apoios sociais, nomeadamente os idosos carenciados, que não recebem os seus apoios, de forma atempada, causando grande perturbação.
“Todas essas pessoas precisam dos descritos apoios financeiros para a sua vida quotidiana e em alguns casos bastante profundos.”
Segundo o Diretor, existe uma outra dimensão que tem a ver com a necessidade de uma alteração relativamente à abordagem que é feita para as políticas referentes às comunidades portuguesas. Revela Paulo Pisco.
Além dos três identificados pilares, “no atendimento consular, no movimento associativo e do ensino português no estrangeiro, verifica-se a necessidade de levar as políticas dirigidas às comunidades portuguesas muito mais longe.” Adverte.
Revela a sua preocupação perante mais significantes temas, como a continuação de ausência de forte atenção para com temas relativos aos direitos das mulheres e dos lusodescendentes nas comunidades. Enquanto o foco está de momento mais concentrado no desenvolvimento económico e cultural, que resulta da nova vaga de emigrantes e dos novos desafios para os jovens, cujos berços deixaram de ser terras lusitanas.
“Compreende-se a necessidade de se criar um apoio consistente relativamente aos empresários das nossas comunidades, entre vários outros domínios.” Evidencia.
Os apoios sociais são de extrema relevância. Mas os apoios ao regresso ao país também. Manifesta-se um conjunto de matérias que merecem uma importante atenção e que até agora não se conheciam. A partir do departamento de Comunidades Portuguesas, pretende-se fazer a ligação às estruturas do Partido Socialista, ao Parlamento e às Comunidades. “Conhecer a visão sobre essas políticas, ou sobre essas necessidades das comunidades dá origem a objetivar o desenvolvimento de propostas, que no futuro possam vir a materializar-se em políticas públicas concretas que permitem uma ligação e consideração completamente diferente relativamente às comunidades portuguesas.”
O Departamento encontra-se em Lisboa, na sede nacional do Partido Socialista. “Sou eu, mais uma funcionária, não esquecendo outros funcionários que pontualmente dão outro tipo de apoio. É uma estrutura do Partido Socialista para fazer a ligação com as comunidades portuguesas e com as estruturas do Partido nas Comunidades.
O que pensa sobre a iniciativa do Portugal Nação Global?
“Não estive presente”, mas seria relevante, na medida em que as questões relacionadas com as comunidades portuguesas não podem estar fechadas na esfera setorial, mas sim valorizadas através de uma participação de todos os partidos. Precisa-se de apresentar um conhecimento das nossas comunidades que seja mais aprofundado, de forma a que possam ser dados também outro tipo de contributos para o desenvolvimento das políticas públicas dirigidas aos portugueses no estrangeiro.
Penso que é sempre importante fazer iniciativas que envolvam as comunidades portuguesas. É preciso que sejam devidamente organizadas e que deem resultados, revela o Diretor. Eis a razão para a existência do Departamento de Comunidades do PS. Que seja para a diáspora uma nova plataforma referente à defesa das comunidades além-fronteiras e à resolução das respetivas questões nacionais e internacionais.




