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Quarta-feira - 13 Maio 2026

PNG: A visão “global”

Destaques

O Centro Cultural de Belém, em Lisboa, recebeu o Fórum Portugal Nação Global, que teve como objetivo conectar os empresários da diáspora com o setor empresarial nacional, a fim de promover projetos na esfera da globalização e internacionalização. A Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas mais a Fundação da Associação Empresarial de Portugal, assinam como autores a criação do mencionado Fórum. Empreendedorismo, Conhecimento e Conexão, apresentam-se como Palavras-Chave da mencionada iniciativa. Mote que deu origem em recuar no tempo e reviver o início da “longa Viagem da “Mala de Cartão”, até chegar o empreendedorismo da Diáspora em tempos de Globalização.

(Continuação) Comboio da Esperança

Quando aconteceu o descrito? Nos meados e fins dos anos 60. A primeira geração pós-II-Guerra que emigrou, porque o seu país não apresentava condições para emprego e construção de família. Levavam nas “Malas de Cartão” sonhos sobre novos Mundos. Acontece que os Novos Mundos se transformaram referente aos Direitos de aceitação e integração em autênticos Campos de Batalha Jurídicas em defesa dos seus direitos. Não foram anos fáceis, mas valeram a pena todas as lutas, porque passaram de “Trabalhadores Convidados”, os designados “Gastarbeiter”, para Cidadãos Europeus. Quem hoje emigra encontra diferentes condições, enquanto no início eram verdadeiras aventuras. Não conheciam o idioma e por vezes surgiam situações caricatas.

Como a história do pobre coitado do português, que pretendia comprar um pacote de manteiga e entrou no talho. De um lado não sabiam português do outro nem “patavina” de alemão. Depressa se esgotaram as ideias e o emigrante desesperado disse, que queria manteiga à sua filha … . (Que as/os Leitoras/es me queiram desculpar de mencionar uma expressão, que por razões óbvias, não será expressamente designada.)

Saber falar, sem ser entendido causa frustração e por vezes angústia e desespero. Creio que o pobre emigrante está desculpado. Ainda não tinha acabado de pronunciar a certa palavra, quando surgiu de imediato um “Ai meu Deus!” em conjunto com arrependimento, assim como um pedido de desculpa. Qual foi a surpresa, quando a empregada sorriu, foi buscar a manteiga e respondeu: “Bitte schön. Hier ist die Butter. (Se faz favor. Está aqui a manteiga.)” O emigrante, mais tarde, conta aos colegas, que chamou um nome à empregada e recebeu a manteiga. O som quase parecido originou a presente caricatura de falta de conhecimento do idioma do país de acolhimento. O dia a dia era vivido entre muito trabalho, aprendizagem e saudade. Melhor não imaginar o alívio ao verificar, que não perceberam a não educada palavra.

O princípio da emigração por vezes originava cenas absurdas, mais dignas da fantasia de um escritor do que da realidade. No entanto, nem tudo era um “Mar de Rosas”. Existiam lágrimas e risos ao longo da Viagem da “Mala de Cartão”. Porém – os anos passavam e “Laços de Amizade” em conjunto com os conquistados Direitos atenuaram as difíceis lutas.

A consequência da longa caminhada começou nas páginas da História da Emigração a escrever de certa forma o empreendedorismo cultural, que criou as Missões Católicas e as Sociedades Culturais, para “matarem saudade da Pátria Lusitana”. Da cultura para o empresarial somente foi um passo. “Pequeno passo” como Neil Armstrong realçou, mas transferindo a célebre frase para a emigração foi também um salto para uma esfera, que hoje deu origem ao presente Fórum.

No Presente, com inglês e novas tecnologias muitas barreiras conseguem ser ultrapassadas. No entanto, os problemas da emigração passaram da luta referente aos Direitos idênticos aos nacionais para outras esferas mais complexas, como por exemplo o reconhecimento de Diplomas ou criação de próprias empresas em terras estrangeiras.

O setor empresarial português / lusodescendente é uma faceta da emigração, que quase ainda se encontra com “Sapatinhos de Criança”. Sempre existiu, mas no início da emigração eram casos muito raros. No entanto, a famosa “Mala de Cartão” começou a guardar muitas recordações sobre a emigração. O desenvolvimento passou de uma emigração principalmente fundada em trabalhadores e representantes governamentais para uma emigração com muitas facetas semelhante a uma pedra preciosa: emigração académica, artística, literária, na área de medicina e muitas mais. Não esquecendo a empresarial, que ao longo das últimas décadas veio e vem a conquistar cada vez mais espaço. Da exportação à importação, assim como sucessos em terras longínquas.

E o “Comboio da Esperança”, que deixava as caras dos passageiros tisnadas, quando ficavam muito tempo à janela, lentamente foi substituído por transportes com “Asas” ou “4 Rodas”. O setor dos carros e o setor da aviação também deram um “salto”, dada a grande afluência de passageiros, que começaram a viajar de forma mais depressa ou particular. Particular ou a independência deram origem à criação do Mundo Empresarial Português Além-Fronteiras.

É no descrito contexto, que se precisa de aceitar, que a emigração deu muitas reviravoltas. O famoso ditado “Do empregado de lavar pratos até ao Milionário”, conhecido no contexto do “American Dream” começou também a ser válido para a Europa e não somente. O Empreendedorismo Português deu início a seguir as pegadas do ser da Alma Lusitana – navegar, descobrir e conquistar Novos Mundos culturais, sociais, literários, musicais … e empresariais.

Que o Fórum Portugal Nação Global no contexto da criatividade económica saiba abrir Novas Portas, Novos Mercados, assim como por intermédio de novos projetos, reforçar a Representação de Portugal e da Diáspora a nível nacional e internacional.

Que o presente ensaio tenha dado origem, que a coragem dos nossos antepassados se transforme em pensar vanguardista, a fim de se crer obter informações adicionais sobre as possibilidades da Emigração de se integrar cada vez mais no Mundo Empresarial, Social e Cultural. Ser pioneiro no contexto do entrelaçamento inovativo do Saber à realidade no contexto internacional da literatura à tecnologia. Da Terra ao Espaço, a fim de novas ideias saírem do papel e realizarem sonhos, que outrora pareciam impossíveis.

O comboio prosseguiu viagem e parou no Centro Cultural de Belém, foram dois dias (29 e 30 abril, 2026), onde se fizeram e perspetivaram negócios…o comboio continua, mas desta vez a mala vai cheia e prossegue online…Boa viagem!

Isalita Pereira/Ligia Mourão

Historiadora

Isalita Pereira
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