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Segunda-feira - 24 Junho 2024

Portugal e a emigração, os movimentos migratórios não param

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Nas décadas de 60, 70 e 80, houve em Portugal um boom de emigração, quer do continente quer das ilhas. O país atravessava um período muito crítico, e os portugueses não tiveram outra alternativa senão emigrar, em busca de melhores condições de vida.

Quando Portugal aderiu à CEE (Comunidade Económica e Europeia), atual União Europeia, em 1986, os portugueses continuaram no seu processo de emigração, apesar de ter desacelerado um pouco na década seguinte. Inês Vidigal, Assistente de Investigação do Observatório da Emigração, salientou-nos alguns dos aspetos pelos quais a emigração portuguesa continua a processar-se.

A partir do momento em que se criam comunidades nos países de destino, geram-se redes entre os dois países, que facilitam a emigração de quem ainda está em Portugal. As redes sociais entre migrantes e entre estes e os seus círculos de pertença, presentes e anteriores, nos países de destino e de origem, são estruturas de circulação de informação, de confiança e de recursos materiais e culturais que facilitam a transformação do potencial migratório em realidade migratória. Contudo, as redes são apenas facilitadoras do processo migratório, não as iniciam. No caso português, existe uma simetria entre a evolução da emigração e a taxa de desemprego, o que significa que os portugueses tendem a emigrar mais nos períodos em que não há emprego em Portugal.


Países tradicionais de emigração

Atualmente podemos dividir os destinos da emigração portuguesa em três grandes grupos:

Um primeiro grupo em que encontramos populações portuguesas emigradas numerosas mas envelhecidas e em declínio devido à redução continuada dos fluxos com origem em Portugal desde os anos 60, que não voltaram a crescer, sendo hoje insuficientes para compensar a mortalidade e movimentos de retorno e de re-emigração (em particular no continente americano, casos do Brasil, Venezuela, EUA e Canadá);

O segundo, com populações portuguesas emigradas numerosas e envelhecidas mas em crescimento, para os quais ocorreu uma retoma mais intensa da emigração no século XXI, suficiente para inverter as tendências recessivas anteriores, embora não para compensar o seu envelhecimento (são exemplos a França, Alemanha e Luxemburgo);

E um terceiro grupo, com populações portuguesas emigradas jovens e em crescimento, para países que se tornaram novos destinos importantes da emigração portuguesa no pós-1974, mas com trajetórias, desde então, muito diversas (como o caso da Suíça, Espanha e Reino Unido).

Dados de 2022 sobre o número de emigrantes e para que países

Segundo Inês Vidigal que já há alguns dados para 2022. Por um lado, temos crescimentos para os países do norte da Europa (em particular para a Dinamarca), para a Suíça, para a Alemanha e para os Países Baixos; por outro, temos um forte decréscimo para o Reino Unido e uma tendência para a estabilização da emigração nos destinos transatlânticos (Canadá, EUA e Brasil).

Mensagem aos portugueses que queiram emigrar

“A qualquer pessoa que esteja a pensar emigrar aconselho que se informe bem.” Há países a exigir que se faça um registo, municipal ou de outro tipo, para ficar legalizada e deve fazê-lo; “tente ir já com um emprego garantido, bem como perceber quais as condições habitacionais do país para onde vai”, pois muitos exigem contratos de trabalho, por exemplo. É muito importante estar informado sobre as condições do país de destino.

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