Em entrevista ao Jornal de Comunidades Lusófonas, o Diretor Regional da Direção Regional das Comunidades e Cooperação Externa, Sancho Gomes, descreve o ritmo da emigração na Madeira. Neste momento não têm uma emigração no sentido tradicional da palavra. Há uma mobilidade ao nível do mercado de trabalho. As “nossas comunidades” são comunidades que estão fixadas há alguns anos e estão tradicionalmente situadas na Venezuela, África do Sul, Estados Unidos, Canadá, Austrália e Reino Unido. Mas são comunidades muito antigas, apresentando um grande desafio para a Região Autónoma.
O sucesso económico da Madeira, resultante dos 50 anos de autonomia e de Democracia portuguesa, promovendo o desenvolvimento regional. Neste momento o PIB é o segundo mais alto de Portugal, superior à média nacional, inferior apenas na região de Lisboa. Este sucesso económico, tem permitido fixar os madeirenses na Região Autónoma.
Felizmente, os madeirenses não têm querido sair, como ao longo de séculos. Deixando aos decisores políticos “um grande desafio”. A Comunidade, é “o nosso principal ativo estratégico”, e não havendo nova emigração, como é que vamos garantir essa permanência?” Questiona-se Sancho Gomes.
Têm vindo a apostar nas segundas e terceiras gerações. “Achamos que, o futuro das comunidades são essas gerações, almejando também que ganhem laços afetivos com a região, sendo necessário criar laços jurídicos.” Tentar garantir ou alargar um conjunto de direitos aos lusodescendentes, no sentido de estabelecer que esses descendentes de origem madeirense se mantenham vinculados à cultura madeirense. “Aquilo que nós chamamos à madeirensidade no mundo.” Salienta o Diretor Regional.
Tem uma noção para que os emigrantes madeirenses estejam espalhados pelo mundo?
A estimativa é que sejam cerca de um milhão de madeirenses espalhados pelo mundo, de primeira, segunda e terceira geração.
“O senhor Secretário de Estado das Comunidades, falava em 31 milhões de portugueses espalhados pelo mundo. Estimativa, que provavelmente seja três vezes mais que a população nacional. E é um pouco aquilo que se passa com a Região Autónoma da Madeira. Somos 250 mil almas a viver na Região Autónoma e a nossa estimativa é que sejam cerca de um milhão fora da Madeira. Mas estou a reportar-me aos que emigraram nos últimos 100 anos, porque se formos falar em 500 anos de emigração, serão muitos mais.” Salienta.
São cerca de 400 mil na África do Sul, e na Venezuela, 50 mil nos Estados Unidos, 40 mil no Canadá, 65 mil na Austrália, cerca de 100 mil no Brasil e 120 mil no Reino Unido, especialmente fixados na área de Londres.
Qual é o cartão de visita para atrair investimento dos Madeirenses que estão no estrangeiro?
“Nós sabemos que os Emigrantes investem na região autónoma da Madeira seja a mesma realidade ao nível nacional ou dos Açores. Investem por coração, por afetividade. Temos empresários fora da Madeira, – vários – que têm volumes de negócios na ordem das centenas de milhões de euros.
O mercado na madeira é um mercado limitado, pequeno, e as empresas que investem, fazem-no pelo motivo mencionado. O nosso cartão de visita, o que tentamos oferecer é previsibilidade, estabilidade e valor acrescentado. Ou seja, as pessoas investem na Madeira, porque querem ter qualquer coisa na sua terra ou na terra dos seus pais ou dos seus avós, mas o que nós garantimos é que esses investimentos, constituem um valor acrescentado. Não têm retorno imediato, como acontece em muitos dos países onde esses empresários estão situados. Só que é uma garantia de um valor que não se perde.
“É esta estabilidade que nós oferecemos aos investidores da diáspora. “que muitas vezes não estão habituados a ter. Como o caso da Venezuela ou a África do Sul, onde não há nem previsibilidade nem estabilidade, onde o retorno é rápido, mas não é seguro. E na Madeira oferecemos essa segurança.”
Uma Mensagem aos emigrantes do país ou àqueles que pretendem emigrar
Àqueles que pretendem emigrar: O direito à emigração é um direito consagrado universalmente na Carta dos Direitos Humanos.
“O que nós gostaríamos era sermos capazes de criar condições para evitar que os madeirenses tenham que emigrar. Mas há quem queira abraçar desafios noutros países e é legítimo. Eu próprio já andei um pouco por esse mundo fora. A Mensagem que deixo é: preparem bem o vosso caminho. O processo migratório tem que ser um processo racional, bem pensado, bem preparado e bem programado. Aos nossos madeirenses, à nossa diáspora que está espalhada pelo mundo, a mensagem que nós deixamos é: são o nosso maior ativo estratégico, são os nossos promotores turísticos. Olhamos para vós, com muito orgulho e com este olhar de família. Estão longe fisicamente, mas juntos no coração.” Termina o Diretor Regional, Sancho Gomes.




