Sem intervalo, sem aplausos, sem interrupções, durante uma hora, o publico envolveu-se numa tensão dramática crescente com as mais virtuosas páginas românticas de Chopin, Beethoven, Rachmaninov e Scriabine, com o recital em Dó Menor do pianista português João Costa Ferreira, nos salões da Embaixada de Portugal em Paris.
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Registou-se a maior enchente de todo o Festival, o que deixou satisfeito o conselheiro cultural Jorge Barreto Xavier, “O programa Musicorama que nós começámos em setembro, a Embaixada, o Instituto Camões de Paris e o nosso parceiro TBS, tem-nos permitido mensalmente apresentar a música portuguesa ao lado das outras músicas da Europa. Tem resultado bastante bem, temos tido muito publico, e assim, divulgámos o que é a música dos séc. XIX, XX e XXI.”

João Costa Ferreira, além de pianista é também o diretor da Casa de Portugal André de Gouveia. No final estava muito feliz, “Correu muito bem e o público foi excecional ao responder ao meu apelo de ouvir atentamente e sentir com emoção o recital, para o qual pedi que não houvesse interrupções nem aplausos entre cada tema.
Montámos um programa muito especial para esta apresentação e resultou muito bem.” Após o longo aplauso com a plateia de pé, o músico ofereceu uma prenda extra ao interpretar uma composição de Vieira da Mota, escrita pelo prodígio português aos 13 anos de idade.

Quem assume a coordenação artística do Festival Musicorama é Bruno Belthoise e, porque toda a temporada se desenrolou principalmente em torno do piano, “Pretendi para este recital musica romântica ao piano, para um público muito alargado. Foi um concerto incrível com o duplo objetivo de interpretar os grandes compositores românticos, mas todos reagrupados neste tom em que são escritas as obras, Dó Menor, o que fez com que tivesse este impacto tão particular.”
21 de junho é o dia da Música, data escolhida para o encerramento do Musicorama, “Vai ser uma iniciativa concentrada das 15 às 19,30h, numa sucessão de músicas bastante diferentes umas das outras, vamos ter jovens pianistas franceses que vêm interpretar compositores portugueses, um duo de cantores de música tradicional de todo o mundo, acompanhados de guitarra e violoncelo, um trio de guitarra clássica que irá trazer melodias do Minho e do Alentejo com arranjos especiais.
Vamos ter também a presença de um Coro Alentejano e uma grande surpresa no final, especialmente escolhida pelo Embaixador Francisco Ribeiro de Menezes”.
Este grande final vai decorrer nos dois salões de receção e nos jardins do edifício, convidando o publico a movimentar-se pelo labirinto artístico.
Eduardo Lino, maio 2026




