O Jornal Comunidade Lusófonas esteve com Rui Moreira, que se encontra fora de Portugal e vai desempenhar novas e diferentes funções fora do país. É um cargo de elevada responsabilidade, mas está confiante que vai levar a bom porto a tarefa que lhe foi confiada.
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Foi na Embaixada de Portugal em Paris, ontem, que estivemos em entrevista com Rui Moreira, ex-Presidente da Câmara do Porto, nomeado Embaixador da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), é um fórum internacional criado em 1961), com sede na capital francesa. É um cargo de muita responsabilidade, mas pensa estar à altura. Não é a primeira vez que trabalha fora do país.
“Tomei posse esta semana como Embaixador de Portugal junto à OCDE, como representante permanente. E a partir de agora estarei por cá e vou encontrar com certeza a Comunidade portuguesa”.
É amigo pessoal do atual Embaixador de Portugal em Paris, e muito ligado à cultura portuguesa. Que por coincidência ou não, teve lugar ao espaço musical na embaixada. “É sempre bom estar em contacto direto com a cultura portuguesa em França”, ou em qualquer parte do mundo, salientou Rui Moreira. Nos últimos anos, tem vindo a aprofundar-se e o reconhecimento daquilo que é a cultura portuguesa, que abrange muitas áreas e não se reduz somente ao nosso querido Fado. Há muito por desvendar nas várias vertentes.
Lembra-se de vir a Paris ver algumas exposições de Helena de Almeida, no Petit Palais, outra de Amadeu Sousa Cardoso, e Joana Vasconcelos, mas a música portuguesa também começa a ganhar uma dimensão maior, mas ainda “é um pouco desconhecida”, como disse a pianista. As pessoas não reconhecem facilmente aquilo que é música portuguesa, a não ser o fado. “Também temos música erudita e é bom que se perceba que também fizemos e fazemos coisas maravilhosas. Não foi só o Ravel,” destaca Rui Moreira.
Mudando de assunto, (um pouco mais triste), como vê a crise real que estamos a viver?
Segundo Rui Moreira, a crise pode ter motivos artificiais, mas é uma crise real. Ou seja, mesmo que amanhã a normalidade fosse retomada, e o estreito de Ormus, se pudesse passar livremente e recuperar a capacidade petrolífera e não só, iria demorar o tempo suficiente para nos causar grandes danos e, portanto, diria que “o pior está para vir.” Revela o ex-autarca.
O que também obriga que a Europa aprenda a lição nessa matéria, disse o Embaixador da OCDE. “Portugal está bem”. E relembra que há uns anos atrás se criticavam as decisões que nós (Portugal) tomamos, de criar energias alternativas e diminuir a nossa dependência do petróleo. O que se veio agora confirmar. Comparado com outros países europeus, temos menor dependência, mas vamos sofrer, os efeitos secundários desta maleita, nomeadamente: na bolsa, inflação, incerteza, etc, mas penso que no fim, “nós temos de ter esperança que as coisas vão acabar bem.”
O que é que espera do novo Presidente da República?
“Não posso comentar aquilo que é Presidente da República. Sou embaixador de Portugal. O que espero é que o senhor Presidente da República, venha proximamente a França. Há uma tradição dos Presidentes da República em que a primeira visita era vir à França.
O Professor Marcelo Rebelo de Sousa interrompeu essa tradição, fazendo a sua primeira viagem ao Vaticano e depois a Espanha no caminho. O Embaixador da OCDE não sabe o que é que vai acontecer, pensa que também o Presidente da República vai a Espanha na sua primeira visita, mas o que espera é que seja um fator de unidade, pois o Presidente da República representa a nossa República e independentemente das interpretações que cada um deles faz e a forma como deve desempenhar os seus poderes, têm de estar em conformidade com a Constituição. Mas o mais importante é que seja um fator de unidade, que saiba ouvir e nos saiba dizer aquilo que precisamos de ouvir.
Uma Mensagem aos emigrantes portugueses ou àqueles que estão a pensar deixar o país
Rui Moreira também é um homem do mundo e sabe muito bem o que é ser emigrante. A sua mensagem, em primeiro lugar, é dirigida aqueles que pensam deixar o país, por um período curto, ou permanente: lembrarem-se, das suas raízes. Nós devemos ter honra e orgulho naquilo que somos.
Nunca devemos esquecer isso e se tivermos filhos, devemos fazer os possíveis para que mantenham esta ligação. Penso que isso é o principal. Quando chegamos aos Estados Unidos, percebemos que a ligação da Comunidade portuguesa com o país, é forte e vê-se na gastronomia, cultura, folclore, é muito forte. Os portugueses nos Estados Unidos não mudam de nome e aqui em França também não.
A Mensagem principal é essa. Somos um povo com uma dimensão universal. Basta ler Camões, que é o nosso grande vulto da literatura e que fez muito por nós. Não nos conta a história de Portugal, conta-nos a história dos portugueses no mundo. E devemos ter esta capacidade de mundividência, de viajar pelo mundo. Eu já vivi não sei em quantos países, é me difícil dizer, mas sei de onde venho. O importante é nós percebermos de onde vimos, para onde vamos. Isso depende das circunstâncias, e das oportunidades. Lembro-me de vir a França no princípio dos anos 1960 com o meu pai e ver as condições, as agruras com que viviam as pessoas. Hoje alguns deles são empresários bem sucedidos, têm uma boa vida, correu-lhes bem, outros voltaram, “os portugueses são assim e para quem gosta do Tintim, o Oliveira da Figueira é verdadeiramente uma das melhores figuras do Tintim e era português,” destaca e finaliza o Embaixador da OCDE, Rui Moreira.




