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Sexta-feira - 1 Março 2024

“Comíamos sopa ao almoço, jantar e quando sobrava ao pequeno almoço”: Um médico de muitas causas humanitárias

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Manuel Bettencourt é um emigrante português que foi em busca do sonho americano há 50 anos, tendo-se instalado no Estado da Califórnia, onde desempenhou as funções de médico dentista durante 35 anos. Um homem de causas abraçou uma série de Associações para o bem dos seus mais próximos conterrâneos, os portugueses que vivem no Estado da Califórnia. Uma entrevista na primeira mão e em exclusivo para os nossos leitores.

Emigrou para o Estado da Califórnia, Estados Unidos da América, com “a minha família”, há cinquenta anos. Presentemente vive na área de Silicon Valley, São José, Califórnia, zona da Baia de São Francisco. Aposentado Médico Dentista. Teve o seu consultório na Cidade de Santa Clara, Califórnia, durante 35 anos.

Depois de estudar e trabalhar, ao mesmo tempo, durante 13 anos na Califórnia. Quando tinha tempo começou a envolver-se nas Associações, e depois de terminar o curso e montar o seu consultório, tentou envolver-se sempre e ajudar a comunidade portuguesa na área onde estava inserido. “O resultado é que tenho participado em mais de 20 Associações, relacionadas primordialmente com a língua e cultura portuguesas. “Por causa do meu voluntariado, tenho sido reconhecido pelas associações e pelo governo português”, refere Manuel Bettencourt.

Vai a Portugal anualmente. Exceto durante a pandemia. “Gosto de ver como Portugal tem desenvolvido desde que imigrei”. Evoluiu para melhor, especialmente na educação. Os jovens estudavam apenas até à quarta classe. Atualmente vejo que a maioria de jovens estudam. “Na minha juventude gostaria de ter continuado a estudar, mas não havia possibilidades. Na minha Ilha Graciosa não havia Liceu e tive de me deslocar a outra Ilha, aonde estudei até ao segundo ano do Liceu. Não pude continuar porque meu pai não podia pagar os estudos”.

Infelizmente, “quando vou aos Açores, aonde passo mais tempo, vejo que a mão de obra é difícil de encontrar”. Terrenos sem produzir, abandonados, porque não há quem os queira trabalhar. Dizem que não vale a pena cultivar porque com a despesa de pagar a mão de obra, o produto depois de vendido não dá para pagar as despesas.

“Sou do tempo de Salazar, e no tempo que não havia televisão, e eram poucos os que tinham rádio, e em geral, nos Açores, somente as mercearias e poucos mais, tinham acesso a telefones fixos. Fui criado de uma maneira primitiva. Não tínhamos água corrente, nem eletricidade. Éramos pobres. A nossa alimentação era à base de sopas. Ao jantar comíamos um prato de sopa e se ainda tínhamos fome comíamos outra. E o pequeno almoço era a sopa que sobrava do jantar do dia anterior. Atualmente gosto de ver que todos têm acesso a jornais, televisão e telemóveis. Todos estão informados, não só sobre o que passa em Portugal, mas globalmente. Como emigrante português, e como todos outros emigrantes que conheço, vivemos relativamente bem, mas trabalhamos muito para ter a vida que temos. Uma coisa é certa. Se os Portugueses trabalhassem em Portugal como trabalham aqui, Portugal estaria mais desenvolvido. Quando cheguei à Califórnia, comecei a trabalhar num hotel a lavar pratos e a estudar e só tirava férias uma ou duas semanas por ano, e não pagam um mês extra (subsídio de férias) como em Portugal.”

Faz muito voluntariado em várias associações, tais como: A Luso American Education Foundation. Esta associação, é sem dúvida alguma, a que mais tenho trabalho como voluntario. Fá-lo há cerca de 30 anos. Esta associação faz um congresso anual para promover a língua e cultura portuguesas. Oferece bolsas de estudo a alunos de origem portuguesa e a outras nacionalidades que queiram estudar português. Também comemora anualmente o Dia de Portugal de Camões e das comunidades portuguesas. Portuguese Historical Museum of San José, Califórnia. Comemorou 26 anos em 2023. “Sou um dos fundadores e presentemente continuo na direção”. Este museu tem exposições rotativas sobre a vida dos Portugueses imigrantes na Califórnia. Começou a celebrar anualmente o Dia de Portugal de Camões e das Comunidades Portugueses, que reúne aproximadamente cinco mil pessoas. City Team Dental Clinic. Já é reformado, mas é voluntário nesta clínica dentária, um dia por semana, há mais de 12 anos. Nesta clínica tratam os tóxico-dependentes e os sem-abrigo. “Aqui é onde sinto mais satisfação”. Tratam todos os grupos étnicos: Americanos brancos e pretos, Mexicanos, Vietnamitas, Portugueses, Brasileiros etc. “Também sou voluntário em várias associações católicas.

“Regressar a Portugal definitivamente, para mim, jamais acontecerá. Sou um de treze irmãos/ãs,vivem todos nesta área com suas famílias. Tenho esposa, duas filhas e três netas, pois aqui é que penso viver. Gosto muito de ir passar um mês, pelo menos, a Portugal, mas vivo permanentemente na Califórnia”.

“Gostaria de dizer aos emigrantes espalhados pelo mundo, que nunca se esqueçam das suas raízes da língua e cultura portuguesas. Contudo, penso que também se deviam inserir na língua e cultura dos países que os acolheram. E que se façam cidadãos ativos na política nos países de acolhimento”.

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