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Sexta-feira - 1 Março 2024

Um sonho a realizar-se, “o mundo é o limite”

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Ariana Soares Portela, tem 26 encontra-se fora de Portugal há quase cinco anos, sendo dois deles em Nova Iorque, onde está presentemente a trabalhar no Icahn School of Medicine no Hospital Mount Sinai daquela cidade. Sempre teve vontade de emigrar e está a concretizar o seu sonho. Não pretende viver em Nova Iorque, pois o mundo é muito vasto e tem muitas ofertas.




Na conferência em Los Angeles a apresentar o seu poster científico.

Em 2016 entrou na licenciatura em Bioquímica na Universidade do Porto, “foram três anos incríveis, diverti-me muito, estudei bastante e acabei em Julho de 2019”. Revela-nos Ariana Portela. Em Setembro desse mesmo ano foi viver para Cambridge (Inglaterra) e lá fez o mestrado em Biociências Aplicadas na Anglia Ruskin University. Gostou tanto que decidiu continuar a procurar oportunidades fora de Portugal.




Na conferência em Los Angeles com o prémio Nobel o Dr.Thomas C. Sudhof

Em 2022 recebeu uma oferta de trabalho no Icahn School of Medicine no Hospital Mount Sinai em Nova Iorque e “não pensei duas vezes, cheguei cá em Novembro de 2022!”

É investigadora associada num laboratório que se dedica à investigação de doenças neurodegenerativas. Neste momento, “o meu projeto principal consiste em testar um composto inovador que abranda a progressão da resposta neuro inflamatória crónica na Esclerose Lateral Amiotrófica.” Contudo, ao longo do ano também participou noutros projetos, como por exemplo, avaliar a possibilidade de transplantação da medula óssea como forma de abrandar a progressão da doença de Alzheimer.

Ariana a trabalhar no seu laboratório


O seu sonho foi “sempre emigrar!” Considera que ter experiências fora “da nossa zona de conforto sempre nos faz crescer, tanto a nível pessoal como profissional”. Durante a licenciatura não fez Erasmus, mas quando acabou a licenciatura, optou por ir fazer o mestrado para o Reino Unido e foi a melhor decisão que podia ter tomado. Depois surgiu a oportunidade de trabalho e foi para Nova Iorque, “que aventura! Estou sempre de braços abertos a novos desafios.” Relata-nos de forma entusiasta e de quem está a adorar o que faz.


Diferenças de trabalhar nos Estados Unidos e trabalhar em Portugal

A maior diferença que sentiu entre trabalhar em Nova Iorque e trabalhar em Portugal “é a liberdade financeira”. Os laboratórios de investigação académica dependem do financiamento que recebem e de bolsas para poderem desenvolver os seus projetos, com este dinheiro, compramos aquilo que precisamos para trabalhar.

O que “eu notei é que no laboratório onde trabalho” tem uma maior liberdade de escolher aquilo que quer fazer no seu projeto, porque o dinheiro não é um problema. “Posso pedir os materiais que preciso sem me preocupar com o plafond, já que existe um grande investimento em Investigação científica nos Estados Unidos da América. Já em Portugal não era bem assim.”

Outro aspeto, é que tem tido a oportunidade de trabalhar com pessoas de vários países e culturas, pelo que tem aprendido bastante sobre diferentes formas de pensar e abordagens a um mesmo problema. No seu laboratório têm pessoas da Coreia do Sul, Espanha, Taiwan, Bangladesh, Itália, Índia, USA “e eu de Portugal”.

Uma última diferença é que nos Estados Unidos tem possibilidades de networking enormes. Em Dezembro de 2023 foi a uma conferência em Los Angeles onde esteve com alguns dos melhores investigadores do mundo na área das doenças neurodegenerativas, incluindo um prémio Nobel o Dr. Thomas C. Sudhof.


A vida atribulada de Nova Iorque é uma correria na hora de ponta e “desligar às vezes é difícil mas é extremamente importante para manter a saúde mental”. Recorre muito à natureza para descansar, sai da cidade, vai para um lugar mais calmo, nem que seja apenas durante um dia. Também pratica meditação e mindfulness.

Os transportes públicos tem uma rede espetacular em Nova Iorque mas “são extremamente caóticos. Quando me sinto assoberbada, respiro fundo, ouço música e concentro-me nisso em vez da multidão (sem nunca deixar de estar atenta claro)”.

Para já não está nos seus planos regressar, talvez um dia volte para Portugal, “nunca está fora de questão, mas não é para já. Contudo também não quero fazer a minha vida em Nova Iorque, não sei onde a vida me vai levar mas mal posso esperar por ver. Por agora vou continuar a explorar o mundo e visitar Portugal quando tiver saudades, afinal de contas vai ser sempre a minha casa, esteja eu onde estiver.” Termina Ariana Soares Portela.

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