No menu items!
11.1 C
Vila Nova de Gaia
Sexta-feira - 1 Março 2024

UNESCO: O Folclore Português está vivo e recomenda-se

Destaques

A Federação do Folclore Português, nasceu a 28 Maio de 1977, na sequência de uns congressos sobre o fenómeno da etnografia em Portugal. “É uma Associação que tem como objetivo a manutenção do Folclore em Portugal e na Diáspora onde há portugueses espalhados pelo mundo”. O Presidente da Federação, Daniel Café, esteve a conversar com o Jornal Comunidades Lusófonas e deixa o seu testemunho.

“Temos uma história bastante interessante sobre o surgimento dos grupos de folclore, em que alguns já estão nos noventa anos. Por exemplo, na década de vinte e trinta, começou a surgir de uma forma organizada associações culturais designadas de ranchos folclóricos, com a intenção de representar aquilo que era a cultura popular”.

Mas com o aparecimento do Estado Novo, houve uma apropriação desta vertente cultural, popular e um certo desvirtuamento do que deveria ser um grupo de folclore. Antes de 1977, houve dois o três congressos que se realizaram para debater concretamente esta problemática. O que é que representaria, o que é que deveria representar um grupo de folclore? E chegou-se à conclusão que o rancho folclórico não estava a fazer o seu trabalho de investigação de representação fidedigna, daquilo que são as tradições populares das comunidades portuguesas.

Em 1977 surge a Federação de Folclore Português, com o intuito de organizar um movimento associativo e ajudá-los com formação sobre o que é que é um grupo Folclórico, como é que devem atuar, o que é que deve ser objeto de investigação, o que é que deve estar dentro do centro de cada associação, o objetivo principal, porque há vários objetivos, há o objetivo de recreio, de convívio etc. Mas um grupo folclórico tem como objeto central de investigação, o estudo e a divulgação, daquilo que são os elementos constituintes da tradição popular, de uma uma determinada comunidade de uma determinada região.

Ações empreendidas por parte da Federação

Presidente da Federação de Folclore Português, Daniel Café.
Em cima, em destaque, Desfile Nacional do Traje Popular Português – Monção, 2022

É nesse sentido que a Federação Portuguesa de Folclore, cria um conjunto de organismos que nós chamamos os conselhos técnicos regionais, que são a extensão da federação do território português e não só. Também pela diáspora, porque nós temos no estrangeiro, em vários países, conselhos técnicos que vão ajudando os grupos a perceberem um pouco deste fenómeno da etnografia. De como devem proceder uma representação correta daquilo que são as tradições populares de uma determinada comunidade ou região. Portanto são as nossas estruturas descentralizadas que vão fazer este acompanhamento bastante próximo, de um movimento associativo.

“Temos um conjunto total de 700 associados”, desses 700 a maior parte naturalmente, encontra-se em território nacional, mas temos vários associados que se encontram espalhados um pouco pelo mundo.

Que se encontram no Canadá, nos Estados Unidos, vários associados no Brasil, França, Andorra Luxemburgo, Alemanha, Suíça, portanto temos um conjunto de países onde estamos presentes e onde vamos fazendo algum acompanhamento dos grupos Folclóricos no seu trabalho, na representação da cultura tradicional e popular.

Os emigrantes pedem mais sobretudo formação. A distância física também representa uma distância de acesso à informação, se já é difícil muitas vezes aqui em território nacional os grupos acederem alguma formação, os que estão radicados no estrangeiro, mais dificuldades vão tendo.

Hoje em dia é um pouco diferente, porque as redes sociais, a internet, os meios de comunicação digitais, aproxima as pessoas. Portanto, hoje em dia é mais fácil, quando fazemos cá em Portugal, formação, também abrimos a possibilidade de explicar. E possibilidade de quem não está cá, poder assistir, frequentar, e acompanhar e isso tem sido uma mais valia. Porque de fato a falta de informação é o principal problema , porque muitas vezes é preciso perceber os meandros, da questão da demografia do Folclore, é imperativo perceber o pormenor, é preciso entender a função das coisas. E isso só e faz com acesso à informação.

Países que estão presentes

Por norma somos convidados para ir ao estrangeiro. Para ir a algum evento, fazer alguma formação, para estar com os grupos em momentos especiais, da sua história. Já temos estado em França, todos os anos vamos lá. Na Suíça, por causa da pandemia, tem havido algumas dificuldades, mas já estivemos presentes algumas vezes. No Luxemburgo também, na Andorra, no Brasil. A pandemia veio arrefecer um pouco a situação.

Temos estado no estrangeiro sempre que há momentos especiais dos nossos associados e sempre que há necessidade de dar alguma formação, ou acompanharmos algum evento que seja realizado. A últimas vez que estive em França foi em novembro passado, quando se organizou o desfile do traje popular.

Eles organizaram pela primeira vez o desfile do traje popular, e foi um sucesso. Estamos sempre presentes para poder ajudar, orientar, e damos espaço para que também possam fazer.

Os sócios pagam uma quota anual, de 120 euros por ano. Nós sabemos que há muitos mais grupos existentes no estrangeiros, para além dos nossos associados. “Mas também é difícil eles perceberem a importância de serem afiliados, porque às vezes pensam que sabem o que estão a fazer, mas não é verdade, há uma falta de formação e falta de informação, e é necessário esta proximidade com os grupos, e da Federação, porque só dessa forma se dá a possibilidade dos grupos crescerem”. Na sua representatividade, se sabemos que há alguma coisa ou um problema premente, e bastante presente, é a falta de representatividade de outros grupos que estão no estrangeiro.

É frequente fazerem uma colagem daquilo que vêm nos grupos de Folclore no território nacional, e muitas vezes colam-se aos maus exemplos. Eles pensam que estão a fazer bem, mas não corresponde à realidade.

Só conseguimos ultrapassar este problema quando há formação, quando os grupos sabem o que estão a fazer.

O papel do Ministério da Cultura

O Ministério da Cultura sabe da nossa existência, e temos tido nos últimos anos uma aproximação com o Ministério, e reconhecem o nosso papel de tal maneira que sendo nós uma Organização não Governamental acreditada pela UNESCO, para a questão do património imaterial, somos convidados também pelo Ministério da Cultura, para fazer parte da rede nacional para o património imaterial.

Portanto isso para nós é muito importante. É fundamental podermos ocupar esta posição porque somos chamados a emitir pareceres sobre as candidaturas a património imaterial da humanidade, porque os processos são feitos aqui em território nacional. E somos uma das instituições chamada de emitir um parecer sobre essas mesmas candidaturas, temos um reconhecimento muito grande, por parte do ministério.

Nós gostaríamos que fosse para além disso, gostaríamos de ser parceiros do Ministério, nomeadamente dos apoios que possamos prestar ao nosso movimento através da celebração de contratos programa para a formação. Para outros projetos que possam surgir, mas de facto não chagámos lá, ainda.

Estamos à espera que se possa equacionar de fazermos parte do Conselho Nacional de Cultura. Temos pedido este Conselho, mas é um caminho que vamos fazendo.

Ver Também

EXCLUSIVO: Bem-Vindos ao Mundo das Novas Tecnologias: A Nanotecnologia é um mundo onde ainda há muito por descobrir

Eng. António Braz Costa, Diretor-Geral do CeNTI. Em entrevista ao CeNTI, Centro de Tecnologia e Inovação (CTI), o seu Diretor-Geral...