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Sábado - 2 Março 2024

UNFPA: O trabalho no terreno “é onde a magia acontece”

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Mónica Ferro, portuense de nascença, quando terminou o liceu rumou para a capital para frequentar a licenciatura de Relações Internacionais no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), de Lisboa, pois era a Universidade de referência em Relações Internacionais em Portugal. Foi a melhor escolha que poderia ter feito porque lhe deu as ferramentas para construir a sua carreira, tendo sido convidada pela sua Universidade, onde passou 22 anos a lecionar Relações Internacionais. Está em Londres na UNFPA desde Agosto, depois de seis anos em Genebra, e feliz com a vida que tem.

“Foi a melhor decisão que podia ter tomado” disse Mónica Ferro, o curso preparou-a para ter uma visão muito global de quais eram os desafios internacionais, bem como as ferramentas para a carreira que fui construindo.

“Acabei o curso em 1995”, e foi convidada para dar aulas, ficando no ISCSP durante duas décadas. Tendo também lecionado na Universidade Internacional.

Foi uma época em que se dá a democratização ao ensino superior, com milhares de jovens a frequentar o ensino superior, e muita dessa oferta vinha das entidades privadas.

Mas concentrou-se no ISCSP, “onde fiz a minha carreira até ter deixado a Universidade em 2017, quando vim trabalhar para as Nações Unidas.”

Esteve no ISCSP, de forma ininterrupta quase 22 anos, leccionando na área das Organizações Internacionais, em que “me especializei, e sou coautora de um livro sobre a Organização das Nações Unidas, com o Professor Manuel Almeida Ribeiro, era a equipa que dava a cadeira». Dedicou a sua investigação às areas das «Organizações Internacionais, Direitos Humanos, e Nações Unidas.”

“Para mim era um sonho, um privilégio fazer algo que me realizava tanto, e ainda era paga por isso, eu dava aulas na área das Relações Internacionais, fazia investigação na mesma área, e ainda me pagavam, eu sempre me senti como uma das pessoas mais afortunadas do mundo”, refere com entusiasmo Mónica Ferro.

“Estou há sete anos a trabalhar nas Nações Unidas e se me perguntarem hoje do que tenho mais saudades, é de dar aulas. Tenho muitas saudades de dar aulas, em interagir com os alunos, mas a vida vai-nos levando por outros caminhos.”

Desde 2011 foi deputada até 2016, mas continuava a dar aulas (os regulamentos permitiam), mas teve que reduzir a carga horária, porque não conseguiria conciliar o meu importante trabalho no parlamento com o grau de atenção e dedicação que dar aulas merece.

Durante 18 anos fez também muito comentário político. Em várias estações de televisão, e em vários jornais, e nos últimos dois anos quando estava em Portugal, fê-lo em exclusividade com a RTP.

A sua identidade foi sempre a Universidade, tendo estado no parlamento e ainda Secretária de Estado Adjunta para a Defesa Nacional.

Depois candidatou-se para um lugar nas Nações Unidas, através de um processo competitivo que durou alguns meses. Conseguiu o lugar de Diretora do Escritório de Genebra e comecei no dia 2 de abril de 2017.

Candidatei-me ao lugar em 24 de outubro de 2016, “lembro-me bem porque é o dia das Nações Unidas”. Foi um processo bastante complexo, composto por várias entrevistas, exames, e finalmente“comecei a trabalhar em Genebra em 2017.”

Genebra é a capital mundial dos Direitos Humanos, da Saúde Global e dos Assuntos Humanitários, estes três pilares essenciais das Nações Unidas. O escritório do UNFPA em Genebra tinha como principal função garantir uma forte consciência do impacto das medidas nas mulheres, nas raparigas, na saúde sexual e reprodutiva, em suma, nos Direitos Humanos destes grupos que estão muitas vezes em situação de maior vulnerabilidade.

O seu trabalho era garantir que em todos estes espaços o mandato da UNFPA, o investimento na saúde sexual e reprodutiva era prioritário, ou entendido como um dos aspetos prioritários.

Era um trabalho de criação de uma consciência global, de ajudar a definir regras e normas neste sentido , “e eu fazia isso, trazendo o trabalho do fundo para Genebra”, garantido que estas Organizações sabiam qual era o trabalho do UNFPA, “temos 150 escritórios 130 em países nos quais realizamos projetos”. É uma organização de terreno, a “magia” acontece no terreno, onde ajudamos a transformar a vida das pessoas.

Está presentemente em Londres, e dirige o escritório que gere o relacionamento do Fundo das Nações Unidas para a População, (UNFPA) com o Reino Unido, a Irlanda, Portugal, Espanha e Itália, “eu cubro estes cinco países, garantindo que estes cinco governos, sabem o trabalho que estamos a fazer, que conhecem o que nós fazemos com o apoio que nos dão”.

Trabalha com os parlamentares desses países, para garantir que estão informados, e os ajudam a garantir que apoiam política e financeiramente a Organização. Acredita também na importância das organizações da Sociedade Civil, das academias e da comunicação social. “O meu objetivo é fazer com que os nossos países, as nossas audiências saibam o trabalho transformador que a UNFPA faz.”

Em Missão, no terreno “é onde a magia acontece”, é onde as nossa políticas, as nossas normas os nossos programas se tornam realidade. Trabalhamos muito com a UNICEF, lideramos com a UNICEF com dois grandes programas globais, o programa global para eliminar o casamento infantil, e o programa global para por fim à mutilação genital feminina.

Em Londres faz com que garanta que estas práticas são analisadas do ponto de vista dos direitos humanos, que há normas que nos permitam executar este trabalho, mas a transformação acontece no terreno. Nos países onde executam os programas.

É de extrema importância ir visitar os projetos, que estão a desenvolver, até para “podermos ser porta-vozes desse trabalho”.

A próxima Missão que está a tentar ir, é à Guiné-Bissau. Já lá esteve enquanto deputada, mas agora gostava de ir “ver o trabalho que estamos a desenvolver, na Guiné-Bissau, porque temos um escritório muito importante lá.”

Também temos um funcionário jovem, financiado pelo governo português, a trabalhar connosco na Guiné-Bissau.

A mutilação genital feminina tem muita prevalência na Guiné-Bissau. E o governo está muito empenhado em eliminar a prática. Temos tido lideres comunitários, líderes religiosos a pronunciarem-se publicamente contra a prática.

O trabalho não se faz só do ponto legislativo. Há uma lei que proíbe a mutilação genital feminina e é muito importante trabalhar com as comunidades, é importante fazer um trabalho de consciencialização social, esclarecer que não é uma norma religiosa, por exemplo.

Daí a importância de uma aliança ampla e de explicar que é uma violação dos direitos humanos, e que não traz nenhum benefício de saúde, bem pelo contrário, é um atentado à saúde física e saúde mental das meninas e mulheres, num mundo onde cerca de 200 milhões de raparigas “vivem” com as consequências da mutilação genital feminina. E é também fundamentar dar voz às sobreviventes – é a sua voz e o seu futuro que está em jogo. E este é o tema da campanha deste ano.

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