Fotografias, imagens, desenhos e quadros contam suas histórias. Porém – silenciosas/os precisam de narradoras/es, a fim de seus Segredos consigam ser revelados. No presente caso fascinantes Vidas, que lutaram contra a Ditadura.
Cônsul Aristides de Sousa Mendes do Amaral e Abranches (Cabanas de Viriato, 19 de julho de 1885 – Lisboa, 3 de abril de 1954) Fernando José Salgueiro Maia
(Castelo de Vide, 1 de julho de 1944 – Lisboa, 3 de abril de 1992)
Jorge Dias (Lisboa, 1950 – Figueira da Foz, 16 de Outubro 2025)
Natércia Maia (1942/43 – Viúva do Capitão Salgueiro Maia)
Vidas de coragem e integridade, que a vida entrelaçou com humanidade e modéstia.

(Bordéus “Canon à mots” – Cabinet angevin Lucie Lom)
Em Rochefort Sur Mer em França existe uma escultura que simboliza a Paz por intermédio do Diálogo. Quando a Coluna Militar de Santarém partiu sabiam que precisavam de enfrentar uma cruel Ditadura. No entanto, o objetivo não era a guerra, mas sim o Diálogo.

Na mencionada Coluna não somente seguia o futuro Herói, mas sim também o Espírito de um grande Herói do Passado: Um neto do ilustre Cônsul de Bordéus. Ambos pretendiam proteger Pátria e Vidas. Viam no seu dever a consciência para alterar injustiças. Quem não conhece a famosa última cena do grande filme “E tudo o vento levou”, onde Scarlett O´Hara diz: “Afinal, amanhã é um novo dia.” (“After all, tomorow is another day.” Acontece que os mencionados Heróis eram personalidades do hoje e do presente e não do “Depois logo se resolve.” Não, problemas que existiam eram para ser resolvidos.

Não receavam enfrentar injustiças da Ditadura. Porém – Megafone e Caneta realçam, que preferiam o diálogo para resolverem os existentes problemas e realizarem a paz. O Cônsul desafiou o conteúdo da “Circular 14”, que não autorizava passar vistos a apátridas e refugiados. O Militar escolheu o megafone e o lenço branco para evitar uma guerra civil. Ambos apresentaram atos de desobediência, mas seguiram suas consciências.

(Autoria desconhecida – Informações bem recebidas)
O Heroísmo que procurava dialogar e não atirar. Um ato de coragem enfrentar os tanques de guerra sem a certeza absoluta, que não pretendiam abrir Fogo ou seguir a Ordem para fazerem fogo.

(Autoria de António Manso – Foto cedida por intermédio da Câmara Municipal Castelo de Vide)
A poucos passos da rendição da Ditadura. Sophia de Mello Breyner Andresen disse no seu Poema “O Revolucionário”:
“Aquele que na hora da vitória
Respeitou o vencido”
Vitória com respeito e dignidade era o objetivo dos Revolucionários.

(Fotografia cedida por intermédio da Câmara Municipal de Elvas)
Hoje contemplamos fotografias, museus e material de guerra, que outrora escreveram História. No entanto na verdade, não se consegue imaginar o que era viver sob a pressão de uma Ditadura, que obrigava muitos a emigraram ou a fugirem para o exílio. A famosa “Mala de Cartão” pertenceu à era do Cônsul e ao tempo do Militar.

(Fotografia cedida por Natércia Maia)
Não somente em Lisboa se procurou o diálogo – mas sim por toda a parte do país.

Na Figueira da Foz, ainda antes das senhas serem lançadas, os Revolucionários conseguiram o comando sobre o Quartel, sem precisarem de recorrer às armas. Foi uma Revolução, que procurava a Paz. Mérito, que é digno de ser protegido como um excecional Legado da História.

(Autoria Manuela Cipriano, Livro “Salgueiro Maia um Homem da Liberdade” – Autor António de Sousa Duarte, Âncora editora.
Eis a razão, quanto é importante o Passado ser protegido e guardado. A Professora Natércia Maia, assim como o Fotógrafo Jorge Dias pertencem aos Guardiões da História da Revolução dos Cravos.

Lutaram contra a Ditadura e a seguir contra o esquecimento. A Professora Natércia Maia continua a defender e a proteger o legado, que a vida decidiu ser sua Missão.
O Filho de Jorge Dias, Nuno Dias realçou o sublinhado com as seguintes Palavras:
“É importantíssimo passar a informação para que eles mesmo não vivendo nunca se esquecerem de onde “viemos” e para onde não devemos voltar. Hoje em dia, as tendências a nível nacional e Mundial são “perigosas” mas creio que não haverá retrocesso e cabe-nos manter o Legado do meu pai e de todos os que participaram em Abril 1974, vivo. Nunca deixar morrer nem deixar de passar a mensagem, não esperar que se percam os nossos direitos (como a Liberdade) para os valorizarmos. Uma mensagem de esperança num futuro melhor. Um futuro igualmente livre, sem nunca deixar de respeitar o próximo e as suas opiniões, sem extremismos e com Paz para todos. Viva a Liberdade, Viva Portugal”
Isalita Pereira
Historiadora-Poeta




