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Sexta-feira - 1 Março 2024

Vila Nova de Paiva – Queiriga: A aldeia mais francesa de Portugal

Destaques

Estivemos a conversar com o Presidente da Câmara de Vila Nova de Paiva, e fez-nos um retrato sobre a emigração que dali partiu. Forneceu-nos um conjunto de iniciativas para cativar os emigrantes mais jovens, com qualificações mais elevadas, para os manter no Concelho de Vila Nova de Paiva.

O Presidente da Câmara, Paulo Marques, descreveu-nos sobre a emigração de Vila Nova de Paiva, dizendo que há muita emigração em especial no seu concelho. “Somos um concelho de emigrantes, no mês de agosto triplica a nossa população.

Presidente da Câmara de Vila Nova de Paiva, Paulo Marques

No outro dia fomos ao festival das geminações, em Orsay, a 30 quilómetros de Paris. Tínhamos lá tantos habitantes deste concelho como temos cá durante o ano, costuma-se dizer que Paris é a segunda cidade portuguesa, que tem mais habitantes de Portugal.

Queiriga é considerada a aldeia mais francesa de Portugal, que “é a minha aldeia de residência”. “Temos um concelho muito Sui generis, porque para além de ter muita emigração é, muito variada. Há muitos emigrantes (de Queiriga) que vivem em Orsay, no departamento 91, como também Vila Cova À Coelheira que acolhe emigração que foi para o Brasil, e Alhais que foram para Inglaterra. Também temos Toro, onde foram presentemente para a Alemanha. É tudo muito variado”. Afirma o Presidente.

Quantos emigrantes?

À volta de 10/15 mil emigrantes, em todo o mundo. Há o dia do emigrante na primeira quinta-feira de agosto em Queiriga, Vila Nova de Paiva. Nessa quinta-feira juntamente com as festas do município, o primeiro dia é sempre dedicado ao emigrante. Temos uma missa campal, dedicada a eles, com um lanche, e depois a animação normal.

Também fornecemos a vertente mais cultural, com debates sobre a emigração, tertúlias. “Até porque nós em Queiriga, existe o Centro de Memórias das Migrações”, para dinamizar de alguma forma, com questões, debates, e tertúlias.

Os jovens foram recentemente para o Dubai trabalhar. Mas o nosso maior número de emigrantes encontra-se em França, em duas zonas, que é Paris, a zona de Périgueux, um pouco mais afastada e também Pau, no País Basco, onde há lá uma comunidade. Depois há na Alemanha, Suíça, Luxemburgo, Inglaterra, Brasil, Canadá, são mais nestes países, onde a emigração tem mais presença. Como é óbvio há mais países, mas é mais focada nestas regiões.

O que tem a oferecer aos emigrantes?

“Nós já ficávamos muito contentes se alguns dos nossos emigrantes regressassem à terra”. Porque são eles o que melhor nós aqui temos. E felizmente temos alguns sinais, alguns casais jovens que têm regressado para aqui e têm investido, porque a qualidade de vida é superior, uma calma absoluta.

Somos apelidados de capital zona natural ecológica, temos muita natureza, mas ao mesmo tempo estamos cada vez mais perto dos grandes centros urbanos. As vias de comunicação são cada vez melhores. Já não estamos tão isolados como estávamos há trinta ou, quarenta anos. Por isso, como estamos em meia hora de Viseu, numa hora e pouco estamos em Aveiro e no Porto. Temos autoestrada aqui ao lado. Conseguimos ir para outros lados, e fugir um pouco da calma que aqui reina. Por isso conseguimos conjugar de uma forma perfeita todos os mundos. Temos algumas oportunidades de negócios, mas há a problemática da falta de mão de obra, por isso é que alguns casais estão a regressar. Temos uma creche gratuita e para todos, também temos o subsídio para a natalidade, temos para os jovens que vão para o ensino superior, pagamos as propinas gratuitas.

O jovem ou a criança, os pais não pagam quase nada, temos as refeições gratuitas, do pré-escolar até ao quarto ano. Se fizermos contas a sério, conseguirão obter mais rendimento aqui do que no estrangeiro. Em termos proporcionais. E porque aqui, também a qualidade de vida é superior e tudo pesa na balança.

Temos que dar a perceber às pessoas que o concelho está a mudar, está a ficar mais moderna, mas também está a precisar de muitas outras coisas. Esta nova emigração qualificada tem de ter atrativos para se manter na terra onde nasceram, e como alguns, diríamos muitos, têm elevadas qualificações académicas ao nível do Doutoramento e Pós-Doutoramento.

“Há uns anos atrás a opção dos jovens era emigrar, porque tinham amigos lá fora, e quando vinham a Portugal vinham com dinheiro”. E por isso é imperativo conseguir cativá-los cá, por isso estarmos a criar condições para que se mantenham aqui.

Estamos a construir uma zona Industrial, para criar uma zona de empregos jovens, bem como apoio aos empresários, para que os jovens empresários, arriscarem no concelho, e não irem para o estrangeiro. “Isso pode ser fulcral para inverter essa tendência, porque não duvido que se alguns jovens arriscarem aqui, e se tudo correr bem, vão permanecer e já não vão emigrar”. Refere Paulo Marques.

As empresas cada vez mais precisam de “Know-how”, mais especializado e mais profundo, e por isso também é uma maneira de fixar alguns, também é normal os jovens querem ir ver o mundo, querem outras experiências novas, porque o mercado de trabalho está a mudar.

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