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Sábado - 2 Março 2024

Vista Alegre: Quando a Arte é Pop, Street ou Déco

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Quando falamos de Vista Alegre temos a tendência de nos remetermos aos artigos de decoração com flores. Essa tendência foi sofrendo ao longo do tempo algumas alterações, as flores continuam, sejam elas oriundas do Cubismo, Pop Art, Art Déco, ou Street Art. A Vista Alegre tem evoluído com as tendências ao fim de quase 200 anos. Descubra a arte que melhor se adapta.

A Vista Alegre foi fundada em 1824, por José Ferreira Pinto Basto, que era um empreendedor, empresário, e um político, e tinha negócios em várias área. Era um grande apaixonado pela porcelana e pela arte, de uma maneira geral, e a uma determinada altura, pensou que era interessante criar uma empresa de porcelana em Portugal, mas com porcelana que fosse de muito boa qualidade e muito ligada à arte, à cultura de uma maneira geral.

Para conseguir os seus objetivos, fundou a Vista Alegre, e trouxe alguns técnicos alemães e franceses. Na época contratou um pintor francês que estava em Inglaterra, e trouxe-o para Portugal, para fundar a escola de pintura da Vista Alegre, Victor Rousseau, fundador da escola de pintura da empresa.

A Vista Alegre, ao longo do tempo foi tendo uma forte ligação com as artes, nomeadamente com a pintura, com a escultura e foi acompanhando os movimentos artísticos das suas diferentes épocas, sendo que uma das fases mais marcantes, foi a Art Déco, que teve uma grande expressão, fazendo um lançamento de peças ao longo do tempo, porque a marca ia integrando esses movimentos artísticos. O Cubismo também fez parte, mas antes disso a Art Nouveau.

Ao contrário das outras artes, a praticada na Vista Alegre nunca foi alvo de censura no período da ditadura, “não é literatura, não é música, não é pintura, não é uma arte muito exposta”, disse-nos Nuno Barra responsável da Vista Alegre. O seu fundador era um liberal. E algumas vezes sofreu retaliações, por outro lado também foi beneficiado por ter sido um liberal. “Nunca houve propriamente censura”.

Exportações

As exportações da Vista Alegre rondam mais dos 75%, nas vendas para o exterior. Os mercados principais são Espanha, França, Estados Unidos e Brasil, “são os quatro dos principais mercados dos 70 países que vendemos hoje em dia”.

“O nosso volume de negócios é de 143 milhões de euros de 2022”. Portugal representa 25%, “nós vendemos 143 milhões, mas o mercado português, ainda é um mercado muito representativo.

Os artigos que se vendem mais. “Cerca de metade das vendas são os serviços de mesa, outra metade são peças decorativas, candeeiros, cutelaria, e agora mais recentemente têxteis. Mas está bastante equilibrado entre o serviço de mesa e o resto”.

O movimento artístico que predomina na Vista Alegre, hoje em dia é a ilustração, tem um peso grande, nas tendências criativas e artísticas.

As própria artes plásticas são muito influenciadas, pelo Street Art, pelo Pop Art, Ilustração, há uma grande influência, quer pelas cores quer pela forma como é trabalhada a decoração.

Neste momento contamos com mais de cem colaboradores, portugueses e estrangeiros. Temos a Joana Vasconcelos, nas Artes e Manuel Cargaleiro, o Inglês Ross Lovegrove, dentre outros.

A peça mais cara que têm, “é um móvel, que é feito com 1100 peças de porcelana pintadas à mão, é uma peça limitada e enumerada a oito, só há oito peças, e custa 45 mil euros”.

A coleção que se vende mais é a “Amazónia”, feita por duas designers brasileiras, é a mais vendida neste momento, foi feita há três, quatro anos. Foi lançado recentemente uma coleção de animais cubistas, foi uma reinterpretação, dessas peças museu, que a Vista Alegre tinha lançado, nos anos trinta “e fomos pegar nessas peças e reinterpretamo-las aos dias de hoje com algumas influências com as cores atuais”, finaliza.

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