Numa tentativa de reduzir os tempos de espera nas chegadas no aeroporto de Lisboa, Portugal, que nos últimos dias chegaram a ultrapassar as sete horas, o governo português anunciou terça-feira dia 30 de dezembro a suspensão imediata, por um período de três meses, da aplicação do sistema europeu de controlo de fronteiras Entry Exit System (EES).
A decisão foi comunicada pelo Ministério da Administração Interna (MAI), reconhecendo a incapacidade atual da Polícia de Segurança Pública (PSP) para responder ao elevado volume de passageiros extracomunitários.
Neste sentido, a suspensão temporária do EES surge ao abrigo dos regulamentos europeus e insere-se num conjunto de medidas de contingência destinadas a normalizar o funcionamento do controlo de fronteiras externas, num contexto de forte pressão sobre a infraestrutura aeroportuária de Lisboa, que tem vindo a ser alvo de críticas por parte de passageiros, companhias aéreas e sindicatos, que exigem soluções estruturais para o problema.
As outras medidas anunciadas pelo governo português incluem o reforço imediato da estrutura operacional com militares da Guarda Nacional Republicana (GNR) com formação certificada, que irão apoiar a PSP na zona de chegadas, bem como o aumento de cerca de 30% na capacidade dos equipamentos eletrónicos e físicos utilizados no controlo documental.
Segundo o MAI, o objetivo é “replicar na zona de chegadas a redução dos tempos de espera já alcançada na área das partidas, após a implementação de medidas semelhantes em setembro”.
A ANA – Aeroportos de Portugal garantiu que, no próprio dia 30, o tempo de espera não excedeu os 90 minutos, registando-se uma melhoria a partir das 10h, após o primeiro pico de chegadas. Ainda assim, a concessionária admite que os constrangimentos têm sido recorrentes, sobretudo ao fim de semana.
A nossa reportagem conversou com o empresário brasileiro Renan Santana, de 40 anos, residente há cinco anos em Portugal. Ao chegar a Lisboa no último dia 22, Renan sublinha que todo o procedimento decorreu com “tranquilidade”.
“A minha chegada foi bem tranquila. Geralmente, utilizo o local onde podemos passar com o passaporte eletrónico, mas, desta vez, essa opção não estava ativa para passaportes brasileiros. Fui para a fila normal, que estava grande, e fiquei duas horas no total, entre a chegada e a passagem pela alfândega. Não considero esse tempo um problema, pois a fila foi sempre avançando, ou seja, havia muitos balcões em funcionamento”, disse este empresário, que teve uma experiência diferente da sua enteada, que aterrou em Lisboa dias antes.
“Cheguei no dia 16 de dezembro e fiquei na fila por cerca de quatro horas. Havia poucos profissionais trabalhando nos balcões. Com o passar do tempo, o número de profissionais foi diminuindo ainda mais. Foi a primeira vez que passei por esta situação no aeroporto de Lisboa”, contou Isadora Guerreiro, de 17 anos, estudante e residente em Brasília.
“No dia 31 de dezembro, a situação estava melhor”, afirmaram as autoridades portuguesas.
Ígor Lopes
Imagem: Agência Incomparáveis




